EDUCAR-SE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Dilson Catarino 
A estrutura sintática de uma oração em que há o pronome "se" pode trazer dúvidas quanto ao uso do verbo no singular ou no plural, principalmente quando houver a formação de locução verbal, que é a junção de dois ou mais verbos indicando uma ação só. O verbo indicador da ação é denominado de "principal", e o outro, de "auxiliar". É este que concorda com o sujeito em número, ou seja, se o sujeito estiver no plural, é o auxiliar que deverá ficar no plural.
É o que ocorre com a frase apresentada: há a locução verbal "devem mudar"; o verbo "mudar" é o principal, pois é o indicador da ação, e o verbo "dever" é o auxiliar, que está conjugado na terceira pessoa do plural porque o pronome "se", denominado, nesse ambiente sintático, de partícula apassivadora, indica que o sujeito da oração é o substantivo "regras", sujeito paciente, pois sofre a ação verbal: "As regras devem ser mudadas por alguém".
O pronome "se" será denominado de partícula apassivadora quando acompanhar um verbo transitivo direto, que é aquele que indica que alguém pratica a ação sobre algo. O verbo "mudar" é transitivo direto, pois "quem muda, muda algo". Por isso o adequado é "Devem-se mudar as regras", com o verbo "dever" no plural, mesmo que o elemento agente, aquele que deve mudar as regras, seja singular. Quando houver "partícula apassivadora", dir-se-á que a oração está na voz passiva sintética, e o verbo terá de concordar com o sujeito paciente.
Há algumas construções, no entanto, que enganam o produtor do texto. Por exemplo, na frase "Pretende-se mudar as regras", não há a formação de locução verbal como à primeira vista parece haver. Há dois verbos autônomos; dois verbos indicadores de ação: "pretender" e "mudar". Cada um tem seu sujeito e seu complemento.
A maneira mais simples de se observar isso é reescrever o período na denominada voz passiva analítica, como foi feito no final do segundo parágrafo deste texto: "Devem-se mudar as regras" é equivalente a "As regras devem ser mudadas por alguém". Quando essa estrutura sintática for possível, haverá a formação de locução verbal. Observe, no entanto, que a segunda frase não permite essa estrutura sintática. Não é possível dizer que "Pretende-se mudar as regras" seja equivalente a "As regras pretendem ser mudadas por alguém", pois não há locução verbal, e sim a formação de um período composto por duas orações.
A primeira oração, denominada de principal, é formada pelo verbo transitivo direto "pretender" (Quem pretende, pretende algo). O pronome "se", que acompanha verbo transitivo direto, é denominado de "partícula apassivadora", que indica que o sujeito sofre a ação do verbo: Alguém pretende o quê? "Mudar as regras". Essa oração "mudar as regras" funciona como sujeito paciente do verbo "pretender". Quando o sujeito de um verbo for uma oração, ele terá de ser conjugado na terceira pessoa do singular, por isso "pretender" está no singular. "Pretende-se mudar as regras" não é equivalente a "As regras pretendem ser mudadas por alguém", mas sim a "É pretendido por alguém mudar as regras".
"Devem-se mudar as regras" é equivalente a "As regras devem ser mudadas por alguém". Como o verbo "ser", na passiva analítica, ficou no plural, "dever", na passiva sintética, também terá de ficar. "Pretende-se mudar as regras" é equivalente a "É pretendido por alguém mudar as regras". Como o verbo "ser", na passiva analítica, ficou no singular, "pretender", na passiva sintética, também terá de ficar.
www.gramaticaonline.com.br
[email protected]


