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segunda-feira, 08 de julho de 2013
Dilson Catarino 
Preposição é uma palavra invariável que, conforme definição do dicionário português Priberam, serve para unir duas outras palavras indicando a relação que existe entre elas. As preposições essenciais são as seguintes: por, para, perante, a, ante, até, após, de, desde, em, entre, com, contra, sem, sob, sobre e trás. Por exemplo, a preposição "para", que, dentre outras relações, segundo o dicionário Aurélio eletrônico, introduz o complemento terminativo de verbos, substantivos e adjetivos que encerram ideia de direção, destino, fim, objetivo, relação. É o que ocorre com a frase apresentada no título desta coluna. Ocorre, porém, que, ao analisar mais detalhadamente a oração, percebe-se a possibilidade de dupla interpretação em virtude da má localização da preposição. Quais as palavras ligadas pela preposição? "paralisa" e "vinda" ou "negociações" e "vinda"? Ambas as ligações são possíveis. Vejamos:
A primeira interpretação é a de que a preposição "para" se liga ao verbo "paralisar", indicando o objetivo de se paralisarem negociações, ou seja, a de que negociações foram paralisadas a fim de que houvesse a vinda de seis mil médicos cubanos. A segunda interpretação é a de que a preposição "para" se liga ao substantivo "negociações", indicando o objetivo delas: a vinda de seis mil médicos cubanos; e que essas negociações foram paralisadas.
Depois de ler a reportagem, chega-se à conclusão de que a interpretação adequada é a segunda delas: Negociações para a vinda de seis mil médicos cubanos foram paralisadas. Assim que a frase deveria ser estruturada. A inadequada localização da preposição causou um "ruído" na comunicação, o que consiste em ocasionar perda de informação na transmissão da mensagem.
Outro problema existente na frase apresentada é a falta do artigo diante do substantivo "negociações". A retirada dele muda o sentido da frase, pois ele serve para definir o substantivo, para especificá-lo, e sua ausência estabelece um sentido genérico ao substantivo. Por exemplo, nas frases "Durante a aula, o professor falou sobre regras de concordância" e "Durante a aula, o professor falou sobre as regras de concordância", a diferença de sentido é a de que, na primeira frase, o professor falou sobre algumas regras de concordância, genericamente; e, na segunda, sobre todas as regras de concordância, especificamente.
Na frase apresentada, além da ambiguidade já discutida, a falta de artigo indica que foram paralisadas algumas negociações, não todas. A frase, sem ambiguidade nem generalização, deveria ser assim escrita: As negociações para a vinda de seis mil médicos cubanos foram paralisadas.
Aproveitando o espaço, analisemos uma questão ortográfica da frase vista: o verbo "paralisar". Certamente muitas pessoas escrevem esse verbo com z, inadequadamente. Escrevem-se com s os verbos terminados em isar quando a letra s pertencer à palavra primitiva, ou seja, àquela que deu origem ao verbo. Por exemplo: análise analisar; paralisia paralisar; catálise catalisar. Escrevem-se com z os verbos terminados em izar quando a palavra primitiva não tiver a letra s no fim de seu radical: economia economizar; horror horrorizar; simpatia simpatizar.
Algumas palavras trazem um pouco mais de dificuldade: batismo batizar; catequese catequizar ; síntese sintetizar; hipnose hipnotizar. O que ocorre com elas é o seguinte: em "batismo" e "catequese", a letra s não pertence ao radical da palavra primitiva, mas sim aos sufixos "-ismo" e "-ese"; os radicais são "bat-" e "catequ-"; a eles se acrescenta o sufixo "-izar". "Sintetizar" e "hipnotizar" não provêm de "síntese" e "hipnose", e sim de "sintético" e "hipnótico"; os radicais são "sintet-" e "hipnot.-"; a eles se acrescenta o sufixo "-izar".
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