Existem alguns verbos na Língua Portuguesa que denominamos de defectivos por lhe faltarem algumas formas verbais. A maioria deles pertence à terceira conjugação, ou seja, a dos verbos terminados em "-ir". Há dois grupos de verbos defectivos importantes. Hoje veremos somente o daqueles aos quais falta a primeira pessoa do singular (eu) do presente do indicativo e seus derivados, que são o presente do subjuntivo e o modo imperativo.
O presente do indicativo é caracterizado pela frase "Todos os dias..."; o presente do subjuntivo, pela frase "Espero que..."; o modo imperativo é o que indica ordem, pedido, conselho, apelo.
Os verbos desse grupo são os seguintes: abolir, aturdir (atordoar), brandir (acenar), banir, carpir, colorir, delir (apagar, deletar), demolir, exaurir (esgotar), explodir, fremir (gemer), haurir (beber, sorver), extorquir, puir (desgastar), retorquir (replicar), latir, urgir (ser urgente), tinir (soar) e pascer (pastar).
O que ocorre com esses verbos, portanto, é que não se pode, segundo a norma culta, conjugá-los na forma verbal "Todos os dias, eu ..." nem em nenhuma forma em que haja estrutura equivalente à que surge diante da expressão "Espero que...". O imperativo, porém, tem umas regrinhas especiais. Vejamo-las:
O imperativo afirmativo forma-se da seguinte maneira: as pessoas "tu" e "vós" provêm do presente do indicativo, retirando-lhes a letra "s". Por exemplo: "Estuda, menino", já que o presente do indicativo é "Todos os dias tu estudas. "Estudai, meninos", já que o presente do indicativo é "Todos os dias vós estudais". As pessoas "você, nós e vocês" provêm do presente do subjuntivo: "Estude, menino"; "Estudemos, meninos"; "Estudem, meninos". Já que "Espero que você estude, que nós estudemos, que vocês estudem".
O imperativo negativo provém totalmente do presente do subjuntivo: "Não deixe de estudar, menino".
Os verbos do grupo em estudo, então, são conjugados no imperativo afirmativo somente nas pessoas "tu" e "vós"; no imperativo negativo em nenhuma pessoa.
Serão conjugados, portanto, da seguinte maneira (como exemplo, o verbo explodir):
Presente do indicativo: tu explodes, ele explode, nós explodimos, vós explodis, eles explodem. Não há a primeira pessoa; eu explodo, eu carpo, eu lato, portanto, são formas inadequadas.
Presente do subjuntivo: não se conjugam esses verbos no presente do subjuntivo. Não há, então, as formas verbais "exploda", "demula", "carpa", etc.
Imperativo afirmativo: explode, tu; explodi, vós.
Imperativo negativo: não se conjugam esses verbos no imperativo negativo.
Os demais tempos têm conjugação regular.
E o verbo "delinquir", apresentado na frase inicial? Esse verbo era defectivo. A Reforma Ortográfica mudou-lhe a conjugação. Ele agora passa a ser conjugado como todos os verbos terminados em "-guar" e "-quar", como "aguar, desaguar, enxaguar, averiguar, apaziguar e obliquar", que têm duas formas verbais para as pessoas "eu, tu, ele e eles" do presente do indicativo e do presente do subjuntivo. As formas são as seguintes: ou se acentua a vogal anterior à terminação: eu águo, ele deságua, eles enxáguam, tu oblíquas, que eu averígue, que ele apazígue; ou não a acentua, e ocorre hiato (separação das vogais) na última sílaba: eu aguo (gu-o), ele desagua (gu-a), eles enxaguam (gu-am), tu obliquas (qu-as), que eu averigue (gu-e), que ele apazigue (gu-e).
O verbo delinquir, que também perdeu o trema com a Reforma Ortográfica, o que ocorreu com os grupos "que, qui, gue, gui", em que o "u" é pronunciado na mesma sílaba que a vogal posterior, conjuga-se desta forma:
Presente do indicativo: eu delínquo, tu delínquas, ele delínqua, nós delinquamos, vós delinquais, eles delínquam; ou eu delinquo (qu-o), tu delinquas (qu-as), ele delinqua (qu-a), nós delinquamos, vós delinquais, eles delinquam (qu-am)
Presente do subjuntivo: que eu delínque, que tu delínques, que ele delínque, que nós delinquemos, que vós delinqueis, que eles delínquem; ou que eu delinque (qu-e), que tu delinques (qu-es), que ele delinque (qu-e), que nós delinquemos, que vós delinqueis, que eles delinquem (qu-em).
A frase apresentada pode, portanto, ser escrita e pronunciada de duas maneiras: "Não se delínquem, meninos" ou "Não se delinquem, meninos".

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