A frase apresentada está estruturada com o que a Gramática chama de locução verbal, que são dois ou mais verbos representando uma ação apenas ou ligando o sujeito à sua qualidade. A locução "tem estudado" representa a ação de "estudar": alguém estuda algo.
A estrutura verbal é extremamente importante para a construção textual e para a adequada interpretação do texto. Algumas inadequações, no entanto, já se cristalizaram no dia a dia dos brasileiros como se fossem formas escorreitas, ou seja, sem erro.
Uma delas é o uso do verbo "estar", no tempo denominado de presente do indicativo, caraterizado pela expressão "todos os dias...", formando locução verbal com outro verbo no gerúndio, forma terminada em "ndo". É bastante comum ouvirmos e lermos frases como a que intitula o texto de hoje com essa locução: "O NRE está estudando a possibilidade de...".
Tal construção só será considerada adequada se indicar uma ação que ocorre no exato momento da fala: "Estou escrevendo este texto domingo"; "Você está lendo este texto terça-feira". O NRE, no entanto, não está estudando possibilidade alguma neste exato momento. Por isso é estrutura inadequada ao Português padrão.
Outra forma inapropriada é a locução com o verbo "vir" no presente do indicativo e outro verbo no gerúndio: "O NRE vem estudando a possibilidade de...". Nenhum dicionário registra esse significado para o verbo "vir". Nós, brasileiros, inventamos esse significado, talvez pela proximidade de sentido com o seguinte registro adequado: o verbo "vir" seguido de outro verbo no infinitivo, terminado em "ar, er ou ir", refere-se ao fim expresso por este. Por exemplo: "Eles vieram discutir o assunto", cujo significado é este: "Eles vieram com a finalidade de discutir o assunto". A locução "vir + gerúndio", porém, não tem o mesmo significado: a finalidade de praticar tal ação. Aliás, não tem significado algum; é inadequada mesmo.
Essas estruturas inadequadas, porém cristalizadas em nosso linguajar, deveriam ser substituídas por outras segundo a norma padrão. Vejamo-las:
O tempo denominado de presente do indicativo não indica, como alguns livros registram, a ação ocorrida no exato momento da fala. Isso é característica da locução verbal "estar, no presente do indicativo, + gerúndio", como visto acima. O presente do indicativo indica ação corriqueira, habitual. Por exemplo: "Passeio com os cachorros várias vezes na semana"; "Leio muito"; "Leciono Gramática da Língua Portuguesa"; "O Governo busca novos aliados continuamente".
A locução verbal apresentada no título deste texto forma um tempo verbal denominado de pretérito perfeito composto do indicativo. É a junção do verbo "ter" com outro verbo no particípio, terminado em "ado ou ido". Existem outros tempos compostos: tinha estudado; teria estudado; terei estudado; tenha estudado; tivesse estudado; tiver estudado; ter estudado. O verbo "ter" pode ser substituído por "haver": havia estudado; haveria estudado, etc.
O pretérito perfeito composto do indicativo representa uma ação que tem ocorrido ultimamente; esta é a palavra que caracteriza esse tempo: "ultimamente". Por isso a frase foi estruturada com tal locução verbal: "O NRE tem estudado (ultimamente) a possibilidade de...".
Todo tempo verbal composto pode ser estruturado com o verbo "ter" ou com "haver"; o pretérito perfeito composto também: "O NRE há estudado a possibilidade de...". Essa forma, no Brasil, não se cristalizou pela dificuldade da conjugação do verbo "haver" no presente do indicativo: "eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão", formas pouquissimamente conhecidas pela população brasileira.

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