O Prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff, postou em seu perfil de uma rede social uma dúvida concernente à maneira adequada de se escrever o que Dilma Rousseff é do Brasil: Presidente ou Presidenta. Inúmeras pessoas escreveram sua opinião acerca do assunto. O problema é que muitos escreveram a sua OPINIÃO, sem pesquisar em documento algum.
Pois bem. Os dicionários Aurélio, Houaiss, Michaelis, Aulete e Priberam, este de Portugal, além do documento oficial de nosso idioma, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o Volp, registram "presidente" e "presidenta". Observe o que registram sobre o vocábulo "presidenta":

Houaiss: 1. Mulher que se elege para a presidência de um país. 2. Mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição. 3. Mulher que preside (algo). 4. Esposa do presidente.
Aurélio: 1. Mulher que preside. 2. Mulher de um presidente.
Aulete: Mulher que preside; esposa de um presidente.
Priberam: 1. Mulher que preside = presidente. 2. Esposa de um presidente

Ambas as palavras são, portanto, adequadas.
Alguns dos que se manifestaram copiaram um texto falso – que diz que, se presidenta existir, existirá também "estudanta" – atribuído a uma professora da UFPR, que nega a autoria. Conversei com ela, que trabalha em outra área, que não a de línguas. Disse-me que desconhece e desconsidera o texto.
A Sra. Dilma é, gostem ou não, julguem bonito ou feio, a nossa Presidenta – ou Presidente.

Tetraneto é o filho do trineto
Há uma palavra muito usada no Brasil que representa o filho do bisneto: tataraneto. Ocorre, porém, que esta palavra é uma corruptela (modo errado de escrever ou pronunciar uma palavra ou locução, segundo o Aurélio) de tetraneto. Além de ser uma corruptela de tetraneto, não tem o significado pretendido pela maioria das pessoas que a usam, pois não é o filho do bisneto, mas sim do trineto. Vejamos: o filho do pai é o neto; o filho do neto é o bisneto; o filho do bisneto é o trineto; e o filho do trineto é o tetraneto!

Um trilião de reais!
Nós, brasileiros, estamos acostumados ao uso das palavras bilhão, trilhão e quatrilhão. Observe, porém, o que registra o dicionário Houaiss: "Tem sido aceita também a grafia ‘bilhão’ (trilhão e quatrilhão), mas ‘bilião’ (trilião e quatrilião) é mais compatível com o étimo e com os derivados eruditos do tipo bilionário, bilionésimo". Nota-se, então, que o que deveríamos escrever, segundo o Houaiss e outros dicionários, é bilião, trilião e quatrilião.

Negociava havia dois meses
Sabe-se que o verbo "haver", quando significar "existir" ou "acontecer" ou ainda quando indicar "tempo decorrido", tem de ficar na terceira pessoa do singular, segundo a norma padrão de nosso idioma. Então, deve-se dizer "Há dois meses não o vejo"; "Houve casos estranhos"; "Havia festas todos os finais de semana".
O tempo verbal também pode ser um problema nessas estruturas sintáticas. Observe a frase apresentada: "Negociava havia dois meses". Acredito que o mais comum em nosso país seria usar o verbo "haver" no presente do indicativo: "Negociava há dois meses". Ocorre, porém, que, se o sujeito "negociava", é porque não negocia mais – ou o negócio foi finalizado ou interrompido. Se não negocia mais, também não faz mais dois meses, pois esse tempo ficou no passado junto com a finalização ou com a interrupção do negócio. Essa é a razão de o verbo "haver" ter de ficar no tempo denominado de pretérito imperfeito do indicativo: "Negociava havia dois meses". O mesmo sucede com o verbo "fazer": "Negociava fazia dois meses".

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