EDUCAR-SE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de outubro de 2012
Dilson Catarino 
Infeliz aquele que não procura desenvolver-se culturalmente. A ordem do dia é procurar o crescimento intelectual, a fim de que não se fique estagnado no tempo e não seja deixado para trás pelos mais ''inteligentes''. Aprender a própria língua é uma obrigação de todos. Não se deve desprezar o nosso idioma. Eu anseio por que o dia em que todos valorizem a língua chegue. É isso mesmo:Eu anseio, e não eu ansio.
Os verbos mediar, intermediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar têm as pessoas eu, tu, ele e eles no presente do indicativo (Todos os dias...) e no presente do subjuntivo (Espero que...) escritas com um e antes do i: Todos os dias eu anseio, tu anseias, ele anseia eles anseiam; Espero que eu anseie,
que tu anseies, que ele anseie, que eles anseiem. Os outros verbos também: eu intermedeio, eu medeio, eu remedeio, eu incendeio, eu odeio...
As pessoas nós e vós desses dois tempos e todas as pessoas de todos os outros tempos não têm esse e: Todos os dias nós ansiamos, vós ansiais; ontem eu ansiei, ele ansiou, eles ansiaram.
Os demais verbos terminados em -iar têm a sua conjugação regular, com as mesmas desinências de todos os verbos terminados em -ar. Vejamos, como exemplo, o verbo assobiar: eu assobio, ele assobia, que nós assobiemos, eles assobiaram, etc.
Há, porém, um grupo novo de verbos terminados em -iar com a conjugação diferente da dos demais. O Acordo Ortográfico registra que alguns verbos terminados em -iar derivados de substantivos paroxítonos (aqueles com tonicidade na penúltima sílaba) terminados em -ia ou em -io têm duas possibilidades de escrita nas pessoas eu, tu, ele e eles no presente do indicativo e no presente do subjuntivo. O Acordo exemplifica a regra com dois verbos: premiar, derivado de prêmio e negociar, derivado de negócio. Eles podem ser conjugados das seguintes maneiras: eu negocio, tu negocias, ele negocia e eles negociam ou eu negoceio, tu negoceias, ele negoceia e eles negoceiam; eu premio, tu premias, ele premia e eles premiam ou eu premeio, tu premeias, ele premeia e eles premeiam; que eu negocie, tu negocies, ele negocie e eles negociem ou que eu negoceie, tu negoceies, ele negoceie e eles negoceiem; que eu premie, tu premies, ele premie e eles premiem ou que premeie, tu premeies, ele premeie e eles premeiem. Estranhíssimas formas, não é mesmo? O pior é que o texto do Acordo registra ''alguns verbos'' e exemplifica apenas com esses dois. E os outros, quais são? Não há registro algum. Imagine o verbo copiar, derivado de cópia sendo conjugado ''eu copeio, eles copeiam...''. Sinceramente, não dá!
Há ainda os verbos terminados em -ear, que recebem um i após o e naquelas mesmas pessoas: eu, tu, ele e eles do presente do indicativo e do presente do subjuntivo. Por exemplo, o verbo cear: eu ceio, tu ceias, ele ceia e eles ceiam; que eu ceie, tu ceies, ele ceie e eles ceiem. As pessoas nós e vós desses dois tempos e todas as demais de todos os outros tempos, não têm o i: nós ceamos, vós ceais; que nós ceemos, vós ceeis; ontem eu ceei; ele ceava.
No vestibular da UEL, certa feita foi cobrado dos alunos o verbo enfear com a seguinte frase: ''Se a realidade nos parece pouco bela, não a tornemos mais feia'', na qual a expressão ''tornemos mais feia'' tinha de ser substituída pelo verbo ''enfear''. Então, caro leitor, sabe completar a frase com esse verbo? O adequado é o seguinte: ''Se a realidade nos parece pouco, bela não a enfeemos mais!''


