EDUCAR-SE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de agosto de 2012
Dilson Catarino 
BATA A PORTA COM MENOS FORÇA!
Nós, brasileiros, elegemos algumas palavras como carrascos da ignorância. ''Menos'' é uma delas. Qualquer cidadão com um pouco de cultura sabe que o vocábulo ''menas'' não deve ser utilizado por ser inadequado ao padrão culto da língua. Quando alguém a utiliza perto de quem a conhece pode até ser vítima de bullying intelectual, se é que isso existe! Ocorre, porém, que não é um erro tão crasso assim. Vejamos: ''Menos'' pode ser pronome indefinido, advérbio, substantivo ou preposição.
Será pronome indefinido quando indicar, segundo o dicionário Aurélio, ''algo inferior em número ou em quantidade, em condição ou em posição'' ou ainda ''algo menor que outra coisa'' e modificar substantivo. E é aqui que se apresenta o problema de concordância desse vocábulo. Os pronomes indefinidos em geral concordam com o elemento a que se referem. Por exemplo: ''Algumas garotas''; ''muitas garotas''; ''nenhumas garotas'' (Sim! ''Nenhumas'' no plural, como também ocorre com ''nenhuns''); ''tantas garotas''; ''muitas garotas''; ''poucas garotas''. O pronome indefinido ''menos'', porém, é diferente, pois deve permanecer invariável: ''Menos garotas''. Foge à lógica, pois, se todos os pronomes indefinidos devem concordar com o substantivo a que se referem, por que ''menos'' não? É uma exceção à regra, sem explicação lógica. É invariável porque é invariável, e acabou a conversa! De acordo com a gramática padrão, o pronome indefinido ''menos'' é invariável; só existe ''menos''. ''Menas'' é considerado inadequado! Outros exemplos: ''Havia menos pessoas hoje''; ''Houve menos perdas de alimentos''; ''Bata a porta com menos força''. Se quiser usar a Língua padrão, caro leitor, nunca fale ''menas''! Se, porém, quiser usar a linguagem do dia a dia, solta, sem preocupações gramaticais, fique à vontade!
''Menos'' será advérbio, segundo o Aurélio, quando significar ''em número ou quantidade menor; com menos intensidade'' e modificar verbo, adjetivo ou outro advérbio. Como é advérbio, ficará sempre invariável como ocorre com todos os advérbios: ''Ela é menos estudiosa que a irmã''; ''As orquídeas floriram menos este ano''.
''Menos'' será preposição, também segundo o Aurélio, quando significar ''à exceção de; exceto; salvo; fora'': ''Todos se satisfizeram, menos Olavo''; ''Ele tem tudo, menos paz''.
''Menos'' será substantivo, ainda segundo o Aurélio, quando indicar ''aquilo que tem a menor importância; o que é mínimo'': ''O menos que lhe pode ocorrer é a demissão''.
Observe, incansável estudante, que o vocábulo ''menos'' que pode trazer problemas é o pronome indefinido. Ele é o único substituído inadequadamente por muitos brasileiros por ''menas''. Lembre-se, então: se quiser usar a Língua Portuguesa padrão, nunca use ''menas''.
OS ESCOTEIROS FICARAM ALERTA! (OU ''ALERTAS''?)
Alerta! Esse é o brado que o chefe escoteiro emite aos seus comandados para que todos fiquem atentos ao que ele tem a dizer. Dito dessa maneira, o vocábulo ''alerta'' pertence à classe gramatical das interjeições e, por ser interjeição, é invariável, ou seja, não deve ser usado no plural: ''Escoteiros, alerta!''
Se, porém, o vocábulo ''alerta'' for um adjetivo, com o significado de, segundo o dicionário Houaiss, ''que está vigilante, atento, ágil, vivo'', deverá concordar com o elemento a que se refere, pluralizando-se quando necessário: ''As pessoas alertas não deixam passar oportunidades sem as aproveitar''; ''Os escoteiros ficaram alertas!''.
''Alerta'' ainda pode ser advérbio, com o significado, segundo o Houaiss, de ''com vigilância; atentamente, de vigia'': ''Fiquem alerta! Se chover, fechem as janelas''; ''Os escoteiros ficaram alerta''.
Opa! A mesma frase foi apresentada duas vezes; uma com ''alerta'' no singular; outra, no plural? Isso mesmo! Cada um tem um sentido diferente: na primeira, ''alerta'' significa que os escoteiros estão atentos; na segunda, que eles agem atentamente. Difícil de entender? Pois bem, na segunda eles até podem estar cochilando, mas estão prontos para agir, quando necessário; na primeira, estão atentos, ágeis, vivos!


