VOTAR EM QUEM?
Muitos já disseram que o brasileiro não sabe votar. Muito se diz que os eleitores devem escolher bem seu candidato para não eleger pilantras ou corruptos. O grande problema, porém, é que ninguém estampa na face o que realmente é. Ninguém tem cara de bandido ou de mocinho. Há muita cara feia que oculta um grande coração e uma mente benevolente, como há muita gente linda, simpática e carismática, dona de uma má índole incomparável. Como, então, escolher os cidadãos - ou cidadãs - que nos representarão no legislativo e no executivo, sem cair nas armadilhas dos encantadores que nos enganam pelos belos discursos, pela caradura, ou seja, pela falta de vergonha pura e simples? Acho que é uma tarefa quase impossível de realizar.
Nos últimos anos - talvez décadas - o Brasil tem sofrido com as más ações dos políticos corruptos, e, mesmo com as inúmeras prisões realizadas pelos órgãos competentes, parece que a situação piora a cada eleição. Renovam-se as câmaras, cassam-se prefeitos, deputados, senadores, mas as manchetes de jornais não param de surgir com mais e mais casos de pilantragem. São os velhos políticos - os chamados de ''raposas velhas'' - ou os novos - chamados de ''renovação'' - agindo à surdina, com o único intuito de se locupletar e aos seus parentes e apaniguados.
Como votar, então? Em quem votar se não há como saber quem é quem? Como já escrevi acima, é uma tarefa quase impossível de realizar. De nada adianta, porém, votar nulo ou em branco, pois a maioria continuará a eleger aqueles em quem votou; e boa parte dos eleitores vota em ''qualquer um'': muitos dos mais desfavorecidos social, econômica e culturalmente, naqueles que lhes prometem algum benefício ou um bem - dentadura, cadeira de roda, cupom de desconto na empresa do político, emprego para o cunhado, telhas, caixa-d'água, tijolos, etc. ou no radialista, no apresentador de programa de TV, no professor. Já muitos dos mais favorecidos social e econômica e culturalmente, naqueles de quem se sentem próximos: o pai do amigo, o médico da família, o proprietário de uma empresa que se situa na mesma rua onde mora, o funcionário do tio, o radialista, o apresentador de TV, o professor do filho, o seu próprio professor.
Aaah! o professor... Este é procurado por alguns partidos para que se candidate, pois é voto certo. A quantas pessoas lecionou? Milhares? Há quantos anos leciona? Décadas? Esse é o cara! Alunos e ex-alunos, pais e mães de alunos e de ex-alunos; inúmeros votam nele pelo simples fato de ser professor. Quem garante, porém, que esse professor sempre age de boa-fé? Todos os professores são probos? Basta ser professor para ser bom político? Lógico que não.
Ninguém deve votar em fulano ou em sicrana só porque trabalha com o giz na mão. Isso não é garantia de probidade nem de honradez. Aliás, não se deve votar em ninguém só porque tem esta ou aquela profissão. Deve-se votar em quem já realizou ações em prol da comunidade, por isso deve-se analisar a vida pregressa do candidato. Quem nada fez para o bem coletivo até agora, quando eleito, provavelmente continuará a fazer a mesma coisa: nada.
Fulano ou sicrana que dizem querer ser eleitos para algo realizar agem como o que precisa fazer regime e sempre deixa para a próxima segunda-feira. Lá, em plenário, não terão ''força'' política para concretizar projetos, pois não haverá vínculo sólido com a sociedade, já que jamais serviram a ela, nunca trabalharam em favor dela.
Já tem ideia em quem votar? Então, chegue a essa pessoa e lhe pergunte ''O que já realizou em prol da comunidade?'' Se a resposta for vaga, imprecisa, ou cheia de rodeios, comece a pensar em outrem e lhe faça a mesma pergunta. Transforme isso numa constante, que, assim, ao menos eliminará alguns que agem somente em interesse próprio. Pode ser que, mesmo assim, ainda erre no voto, mas ao menos tentou escolher alguém digno, merecedor de ser pessoa pública.

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