EDUCAR-SE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de abril de 2012
Dílson Catarino 
Existe uma matéria do âmbito escolar denominada de Regência, que pode ser verbal ou nominal: aquela quanto aos verbos; esta quanto aos substantivos, adjetivos e advérbios. É o estudo que concerne ao uso ou não de uma preposição diante do elemento regente - o verbo, o substantivo, o adjetivo ou o advérbio - em relação ao elemento regido. É o que chamamos de, gramaticalmente, regência verbal, quando se trata de verbo, e de regência nominal quando se trata de substantivo, de adjetivo e de advérbio. É necessário o uso de um bom dicionário de regência verbal e de outro de regência nominal para saber qual preposição (ou quais) é possível usar com determinado verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio para que este estabeleça uma relação com seu elemento regido.
Um bom exemplo é o do substantivo ''amor'', pois, de acordo com os bons dicionários de regência nominal, tanto se pode usar amor de algo/alguém, quanto amor a, para ou para com algo/alguém ou ainda amor por algo/alguém, depende do significado que se queira, ou se necessite, dar à frase.
Alguns substantivos e adjetivos trazem grandes dificuldades a quem quer escrever um texto impecável. Sem uma boa pesquisa, o autor da frase acaba cometendo inadequações gramaticais imperceptíveis a ele e ao leitor incauto. Por exemplo, observe a frase apresentada no título de nossa coluna: ''Ministro garante rentabilidade do trigo''. Imagine se estivesse escrito ''... rentabilidade ao trigo''. Haveria diferença? Os leitores interpretariam a frase diferentemente? Acredito que não. Se um jornal colocasse tal frase como manchete, certamente o leitor entenderia a mensagem independentemente da preposição usada: ''Ministro garante rentabilidade do trigo'' e ''Ministro garante rentabilidade ao trigo'' trariam o mesmo resultado concernentemente ao significado: ''o trigo vai render mais''. Não é o que ocorre, porém, no que concerne ao significado que cada preposição dá à frase. Vamos à explicação:
Alguns substantivos que indicam posse de um elemento sobre outro exigem a preposição ''de'' exatamente para indicar isso: casa de Pedro, campo de trigo, estado do Paraná, etc.
Em outros casos, porém, a preposição ''de'' serve para indicar que há um elemento agente sobre outro, o paciente, ou seja, que há um elemento que pratica uma ação sobre determinado elemento. Ocorre, entretanto, que a preposição ''a'' também indica o mesmo. A diferença está em o elemento ser agente ou paciente. Por exemplo, observe as seguintes frases:
- A solidariedade das entidades assistenciais às comunidades carentes.
- A solidariedade às entidades assistenciais das comunidades carentes.
Qual a diferença de sentido?
A preposição ''de'', diante de um substantivo abstrato que denota ação, traz o significado de elemento agente, ou seja, a preposição ''de'', posterior a um substantivo abstrato, indica que o elemento regido age sobre determinado elemento, que será regido pela preposição ''a''. Esta preposição, por sua vez, diante do mesmo substantivo abstrato, indica que o elemento sofre ou recebe a ação praticada por outro.
O substantivo ''solidariedade'' é abstrato, pois indica a característica de quem é ''solidário'' (Todo substantivo que indica a característica de um adjetivo é abstrato). A preposição ''de'' diante do substantivo ''solidariedade'', portanto, indica que o elemento regido pratica a ação; já a preposição ''a'' indica que o elemento regido sofre ou recebe tal ação. O significado, portanto, das frases apresentadas é o seguinte:
- ''A solidariedade das entidades assistenciais às comunidades carentes.'' - As entidades assistenciais se solidarizam com as comunidades carentes.
- ''A solidariedade às entidades assistências das comunidades carentes.'' - As comunidades carentes se solidarizam com as entidades assistenciais.
A frase apresentada no título não poderia, portanto, ser apresentada com a preposição ''a'', pois não teria o significado pretendido. Observe bem:
- ''Ministro garante rentabilidade (de algo/alguém) ao trigo.'' Significaria que algo/alguém renderia, ou seja, traria lucro ao trigo.
- ''Ministro garante rentabilidade (a algo/alguém) do trigo.'' Significaria que o trigo traria lucro a algo/alguém.
Lógico está que a segunda frase é a pretendida: ''Ministro garante rentabilidade (a algo/alguém) do trigo.'' Ou seja, o trigo trará rentabilidade a alguém.


