USOS DO VERBO NO INFINITIVO
O infinitivo - verbo terminado em -ar, -er, ir - pode apresentar-se flexionado e não flexionado.
Será denominado flexionado quando houver desinência verbal: -es, para a segunda pessoa do singular (tu), -mos, para a primeira pessoa do plural (nós), -des, para a segunda pessoa do plural (vós) e -em, para a terceira pessoa do plural (eles, elas). A primeira (eu) e a terceira pessoa do singular (ele, ela) são representadas pelo infinitivo não flexionado: Eu cantar; tu cantares; ele cantar; nós cantarmos; vós cantardes; eles cantarem.
O infinitivo é comumente antecedido deápreposição (a, de, para, por...), indicando significado declarativo. Por exemplo:
- Infinitivo: ''Era para eles chegarem mais cedo.''; ''Ao nos aproximarmos da casa, percebemos que havia problemas.''; ''Eles se preocuparam por não saberem o que estava acontecendo.''

INFINITIVO FLEXIONADO:
Usa-se o infinitivo flexionado nos seguintes casos:
Quando o sujeito for claro, ou seja, quando surgir um pronome ou um substantivo, escrito na mesma oração do verbo, funcionando como sujeito dele, o uso do infinitivo flexionado será obrigatório. Se o sujeito não estiver escrito, mas for claro, também se usa o infinitivo flexionado:
- ''Não é necessário vocês chegarem mais cedo.'' - O sujeito do verbo chegar está claro: vocês; por isso o verbo fica no plural, concordando com o sujeito.
- ''Não mediremos esforços para vós serdes bem atendidos.'' - O sujeito de ser está claro: vós; por isso o verbo fica na segunda pessoa do plural, concordando com o sujeito.
- ''Não é necessário chegarem mais cedo.'' - O sujeito não está escrito na oração, mas torna-se claro que a ação é direcionada a mais de um elemento: vocês.
Quando o sujeito do verbo no infinitivo for diferente do sujeito do verbo da outra oração, flexiona-se o infinitivo:
- ''Meninos, vejo estarem atrasados mais uma vez.'' - O sujeito do infinitivo estar (vocês), é diferente do sujeito do verbo da outra oração: eu vejo.
- ''Falei a eles sobre a vontade de deixarmos o time.'' - O sujeito do infinitivo deixar (nós), é diferente do sujeito do verbo da outra oração: eu falei.
Obs.1: Se o sujeito do verbo no infinitivo for o mesmo do verbo da outra oração, a flexão do infinitivo não é necessária. Não é, porém, proibida: ''nós nos reuniremos com eles para apresentar os problemas da empresa.''; ''Nós nos reuniremos com eles para apresentarmos os problemas da empresa.'' - O sujeito de ambos os verbos (reunir e apresentar) é o mesmo: nós. Quando, porém, o infinitivo estiver muito próximo do verbo anterior, a flexão não deve ocorrer: ''Não sei como eles aguentam comer tanto!''
Obs.2: Quando o infinitivo estiver depois da preposição a, é o caso mais polêmico, pois há gramáticos que admitem a flexão do infinitivo e há gramáticos que não a admitem. O mais recomendável é aceitar ambos os casos, ou seja, quando o infinitivo estiver depois da preposição a, pode-se usar tanto o infinitivo flexionado, quanto o não flexionado: ''O rapaz ajudava as garotas a superar suas dificuldades em Matemática.''; ''O rapaz ajudava as garotas a superarem suas dificuldades em Matemática.''
A exceção ocorre quando a oração estiver na voz passiva (com sujeito sofrendo a ação verbal): nesse caso, o infinitivo será flexionado obrigatoriamente: ''Essas são as tarefas a serem feitas.'' (A oração está na voz passiva, pois o sujeito tarefas sofre a ação de fazer).

INFINITIVO NÃO FLEXIONADO
Usa-se o infinitivo não flexionado nos seguintes casos:
- Como verbo principal de locução verbal, usa-se o infinitivo não flexionado:
Os alunos podem sair mais cedo hoje. O verbo sair é o principal da locução verbal podem sair.

SUJEITO ACUSATIVO
Quando o verbo da oração principal for fazer, mandar, deixar, ver, sentir ou ouvir, o complemento desse verbo for um verbo no infinitivo ou no gerúndio e o sujeito desses últimos verbos for um pronome, não se deve usar eu, tu, ele, nós, vós eles, e sim me, te, se, o, a, nos, vos, os, as e o infinitivo não se flexiona: ''Mandei o garoto sair de lá.'' = ''Mandei-o sair de lá.''; ''Mandei-os sair de lá.''; ''Mandaram-nos sair de lá.'' Os pronomes exercem a função de sujeito acusativo.
Obs.: Se o sujeito acusativo for um substantivo plural, pode-se usar tanto o infinitivo flexionado quanto o infinitivo não flexionado: ''Mandei os garotos sair/saírem.''

ÚLTIMOS CASOS:
Quando o infinitivo não se referir a sujeito algum, será não flexionado: ''Navegar é preciso, viver não é preciso.''
Quando, após adjetivo, preceder o infinitivo de preposição, será não flexionado: ''São casos difíceis de solucionar.''
Quando der ao infinitivo valor de imperativo (ordem, pedido, conselho, apelo), ele será não flexionado: ''Soldados, recuar!''

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