Se a realidade nos parece pouco bela, não a enfeemos mais!
A frase apresentada certamente seria escrita de maneira diferente por aqueles que não dominam o uso dos verbos terminados em -ear. Certamente muitos escreveriam ''enfeiemos'', inadequadamente. Porém, os verbos terminados em -ear, como exemplo o verbo ''enfear'', que significa ''tornar feio, desfigurar'', têm conjugação no presente do indicativo (todos os dias...) e no presente do subjuntivo (Espero que...), com o acréscimo da letra ''i'' após o ''e'' nas pessoas ''eu, tu, ele e eles'': todos os dias eu enfeio, tu enfeias, ele enfeia e eles enfeiam; que eu enfeie, que tu enfeies, que ele enfeie e que eles enfeiem. As outras pessoas desses dois tempos (nós e vós) e todos os outros tempos verbais não têm essa letra ''i', ficando assim: todos os dias nós enfeamos, vós enfeais; que nós enfeemos, que vós enfeeis; ontem eu enfeei, tu enfeaste, ele enfeou, nós enfeamos, vós enfeastes, eles enfearam. O mesmo ocorre com todos os verbos terminados em -ear, como passear, frear, refrear, cear, patentear, franquear, rodear...:
- Não passeie à noite, que é perigoso.
- Passeemos pela praia!
- Eles ceiam todos os anos na casa da avó.

O gerente só intermedeia quando é necessário
O verbo ''intermediar'' não tem conjugação regular, como ocorre com a maioria dos verbos terminados em -iar. Os verbos terminados em -iar têm conjugação regular, ou seja, seguem a conjugação de qualquer verbo terminado em -ar, como, por exemplo, ''cantar''. Então, se dizemos ''eu canto, tu cantas, ele canta'', também diremos ''eu copio, tu copias, ele copia''. Há alguns verbos terminados em -iar, porém, que não seguem essa conjugação. É o caso de ''mediar'', ''ansiar'', ''remediar'', ''incendiar'', ''odiar'' e todos os seus derivados. Esses verbos terão o acréscimo da letra ''e'' antes da terminação -iar, nas pessoas ''eu, tu, ele e eles'' do presente do indicativo (todos os dias ...) e do presente do subjuntivo (espero que ...). A conjugação desses dois tempos ficará desta forma:
- Todos os dias eu medeio, tu medeias, ele medeia, nós mediamos, vós mediais, eles medeiam.
- Que eu medeie, tu medeies, ele medeie, nós mediemos, vós medieis, eles medeiem.
Todos os outros tempos seguem a conjugação regular, ou seja, terão conjugação igual à de qualquer verbo terminado em -ar.
O verbo ''intermediar'' é derivado de ''mediar'', portanto sua conjugação é idêntica à deste. Por isso é adequado o que foi apresentado no subtítulo: O gerente só intermedeia quando é necessário. Veja outros exemplos:
- Eu anseio por um futuro melhor a todos. E você, anseia por isso também.
- Espero que nós remediemos o que fizemos de errado; eu sempre remedeio meus erros.

Século X, século XX, século XXI, Papa João XXIII, Papa João Paulo II. XXIII Festa da Uva. Qual a leitura dos algarismos? Dez ou décimo? Vinte ou vigésimo?
Os algarismos romanos {I (um), V (cinco), X (dez), C (cem), D (quinhentos), M (mil)} usados para a indicação de séculos, papas, imperadores, reis, artigos, etc, têm a seguinte leitura: Quando o algarismo estiver depois do substantivo, de I a X leem-se como numeral ordinal (primeiro, segundo, terceiro...); de XI em diante, como numeral cardinal (onze, doze, treze...). Quando o algarismo estiver antes do substantivo, leem-se todos como numeral ordinal. A leitura das palavras apresentadas, então, deve ser assim efetuada: século décimo, século vinte, século vinte e um, Papa João vinte e três, Papa João Paulo segundo, vigésima terceira Festa da Uva.
Os algarismos indo-arábicos (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9) sempre terão leitura de numeral cardinal, a não ser que haja o símbolo (º) ou (), transformando em numeral ordinal. Então haverá o seguinte: Artigo 8 (artigo oito), Casa 2 (casa dois), 8º artigo (oitavo artigo).

Metalúrgicos param por melhores salários
Essa frase foi a manchete de um grande jornal brasileiro há algum tempo. Havia, porém, uma diferença concernentemente ao que escrevi acima: lá estava escrito páram, com acento; ocorre, no entanto, que não pode haver acento algum. A palavra que recebia acento antes da reforma ortográfica é para, do verbo ''parar'', mas mesmo essa palavra não se acentua mais.
- Para de me atanazar, menino!
- Ela não para de falar um minuto!

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