COMO COMBATER O BULLYING
Quero dar minha contribuição para banir de uma vez por todas este problema tão discutido: o bullying, agressão física ou psicológica que ocorre dia após dia, torturando, mortificando a vítima, que se sente cada vez mais acuada e mais temerosa de frequentar o mesmo local de seu algoz. E sobre isso só tenho a dizer que nada sei sobre bullying, pois ele é externo a mim. E eu só sei sobre o que é interno a mim; e o que é interno a mim é-o a todos, portanto todos o sabem, mas o que é externo a nós, ninguém o sabe.
Quando eu era jovem, meus pais foram convidados para assistirem a uma palestra sobre drogas. Entregaram-lhes um folheto que continha uma lista de sinais de alerta para saber se haveria possibilidade de o filho estar usando drogas, e o primeiro sinal era ''mudança significativa de comportamento''. Hoje, pegue-se um folheto que contenha a tal lista para saber se o filho pode ser agressor ou agredido, e o primeiro sinal será ''mudança significativa de comportamento'', ou seja, mudaram-se os problemas, mas os sinais se mantêm os mesmos. A solução também.
Essa mudança percebe-se por meio de afetividade, que se desenvolve pela convivência ativa e positiva. Ter afetividade significa afetar positivamente o comportamento das demais pessoas. Adultos ausentes ou displicentes - que somente se atêm ao que lhes é externo - não percebem essas mudanças, pois não estabelecem uma convivência proveitosa com os jovens, que se sentem 'livres' e, como não têm um adulto exemplar, transformam-se em agressores. Já os agredidos não têm um adulto modelo em quem se apoiar, por isso se calam diante do bullying, e tudo fica como está. Não há referência para que eles se desenvolvam afetivamente.
O Doutor em Educação pelo Teachers College da Universidade de Columbia, nos EUA, e pesquisador do ambiente escolar e seus impactos sobre a vida estudantil, Brian Perkins, concluiu que os alunos com percepção positiva do ambiente escolar são correlacionados a resultados melhores em testes e que os professores com a mesma característica têm performance melhor em sala de aula. Ou seja, quando os que frequentam a escola veem-na com olhos prodigiosos, têm resultados mais profícuos, e a escola funciona melhor. A aprendizagem do aluno e o desempenho do professor, portanto, estão intimamente ligados ao clima escolar.
A pergunta mais importante, porém, que se tem de fazer neste instante é ''Como levar os participantes do ambiente escolar a terem uma percepção positiva?'' A resposta chega a ser óbvia, mas a esmiuçaremos:
Pensemos primeiramente nas convivências existentes na escola: quem pode afetar positivamente o comportamento dos alunos em sala de aula? O coordenador e o professor. Quem pode afetar positivamente o comportamento dos alunos fora da sala de aula? O coordenador, os inspetores, os zeladores e os demais funcionários da escola. E quem pode afetar o comportamento dos professores, coordenadores, inspetores, zeladores, os demais funcionários da escola e os alunos? O diretor!
Afeta-se positivamente o comportamento dos jovens por meio de ações construtivas: os professores devem conversar mais com os alunos sobre o que ocorre dentro da sala de aula; isso lhes demonstra que são participantes do universo escolar, o que lhes proporciona confiança e segurança, além da percepção de que o professor é ser humano, não apenas professor. Já os demais adultos devem demonstrar que estão lá para que haja um bom funcionamento da escola, não para tão somente vigiar e punir.
E o diretor? Esta é a peça fundamental no bom andamento dos trabalhos escolares. Segundo Brian Perkins, o diretor deve ter menos papel administrativo e mais afetivo; deve participar mais da vida escolar; deve aparecer mais, entrando em sala de aula para conversar com os alunos e com os professores; deve dar instruções claras e precisas de como lidar com esse tal de bullying e com todas as outras situações de risco; deve estabelecer tolerância zero às agressões e deve levar os participantes à reflexão sobre todos os acontecimentos naquele ambiente. O diretor é o adulto-mor; é o responsável pela escola; é, portanto, o responsável por todos que lá frequentam, e como tal deve agir.
Brian Perkins diz que é preciso reconhecer que o direito à educação de uns não pode se sobrepor ao direito dos outros. Todos têm direito à educação. Ninguém é melhor que ninguém. Os adultos responsáveis pelo ambiente escolar têm a obrigação de zelar pelo bom ambiente, sem se omitir um minuto sequer.
E não se pode esquecer de que a vida escolar é uma extensão do lar de cada um, por isso os pais devem ser os primeiros a terem essas atitudes profícuas de afetividade, devem ser os adultos-mores na vida de seus filhos, para que estes estejam protegidos do bullying, não sendo agressores nem agredidos.

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