A GRAMÁTICA NO DIA A DIA

Cá estamos para mais uma 'aula' de Gramática da Língua Portuguesa, a fim de que aqueles que com ela trabalham, e mesmo aqueles que somente se interessam por suas particularidades (da Língua), possam ter segurança no momento de se comunicar, seja oralmente ou por escrito, o que, aliás, é muito mais complicado. No 'falar', temos liberdade; podemos cometer deslizes, pois, nas conversas informais, ninguém se preocupa com o uso sistemático das regras gramaticais. Ao escrever um texto, porém, é que se nos apresentam as dificuldades. Iniciemos, então, os nossos estudos de hoje:


HOUVE (OU HOUVERAM?) SITUAÇÕES PIORES
O verbo 'haver' é um dos maiores problemas do brasileiro em geral. Mesmo aqueles que estudam as regras gramaticais têm dificuldades em seu uso. Vejamos, então, o que ocorre com ele:
Quando o verbo 'haver' significar 'existir' ou 'acontecer', ou ainda quando indicar 'tempo decorrido', tempo que ficou no passado, deverá ficar na terceira pessoa do singular sempre, esteja sozinho ou acompanhado de outro verbo anteriormente a ele, que também terá de ficar no singular. Isso acontece por ser ele um verbo impessoal, ou seja, um verbo que não tem sujeito. Observe as seguintes frases:
q - ''Já houve situações piores no passado''. Nessa frase, o verbo 'haver' significa 'acontecer', por isso tem de ficar no singular. É inadequado ao padrão culto da Língua dizer - ou escrever - 'houveram situações'. Observe que, se conjugarmos o verbo no tempo denominado de presente do indicativo, o adequado será 'Há situações', e não 'Hão situações'. Em todos os tempos ocorre o mesmo: terceira pessoa do singular: Há situações; Houve situações; Haverá situações; Havia situações; Se houvesse situações...
q - ''Poderá haver problemas''. Nessa frase, o verbo 'haver' significa 'existir', por isso tem de ficar no singular; ele e o verbo que o acompanha, denominado de verbo auxiliar. Em todos os tempos ocorre o mesmo com o verbo 'poder' ou com outros auxiliares - dever, ir, continuar...: terceira pessoa do singular: Deveria haver menos problemas; Vai haver problemas; Continuará a haver problemas...


FAZ (OU FAZEM?) DOIS ANOS
O verbo 'fazer' é outro verbo impessoal, ou seja, outro verbo que não tem sujeito. Isso ocorrerá quando ele indicar 'fenômeno da natureza' ou 'tempo decorrido', tempo que ficou no passado. Quando o verbo 'fazer' for impessoal, deverá ser conjugado sempre na terceira pessoa do singular. Se for acompanhado de um verbo auxiliar - dever, poder, ir, continuar... - este também ficará no singular. Observe os seguintes exemplos:
q - ''Faz dois anos que escrevo para a Folha de Londrina''. Nessa frase, o verbo 'fazer' indica 'tempo decorrido', por isso tem de ficar no singular. É inadequado ao padrão culto da língua dizer - ou escrever - ''Fazem dois anos''. Em todos os tempos ocorre o mesmo: terceira pessoa do singular: ''Fez dois anos''; ''Fará dois anos''; ''Faria dois anos''...
q - ''Continua a fazer mais de trinta graus, mesmo já sendo noite''. Nessa frase, o verbo ''fazer'' indica ''fenômeno da natureza'', por isso tem de ficar no singular; ele e o verbo auxiliar que o acompanha. Em todos os tempos ocorre o mesmo com o verbo 'continuar' ou com outros auxiliares - dever, poder, ir...: terceira pessoa do singular: ''Poderá fazer 30ºC''; ''Vai fazer 30ºC''...


VENDEM-SE (OU VENDE-SE?) APARTAMENTOS
O pronome 'se' é deveras problemático! Às vezes, ele faz o verbo ficar no singular; às vezes, o faz concordar com o termo paciente da ação praticada pelo sujeito. Quem o usa, tem de ficar muito atento. Vejamos o que ocorre com ele:
O pronome 'se' fará o verbo ficar no singular quando este - o verbo - for indicador de qualidade (ser, estar, ficar, continuar...), ou quando estiver acompanhado de preposição (a, de, por, em..), ou ainda quando ele não tiver complemento algum. Observe as seguintes frases:
q ''É-se muito feliz na adolescência''. Nessa frase, o pronome 'se' acompanha verbo indicador de qualidade, por isso este (o verbo) fica no singular.
q - ''Precisa-se de homens honestos na política brasileira''. Nessa frase, o pronome 'se' acompanha verbo com preposição (Quem precisa, precisa 'de' algo), por isso, este fica singular.
q - ''Morre-se de Aids. Cuide-se, portanto!'' Nessa frase, o pronome 'se' acompanha verbo sem complemento algum (quem morre, morre), por isso este fica no singular.
Quando, porém, o pronome 'se' acompanhar verbo sem preposição alguma, seguido de termo paciente, ou seja, de elemento que sofre a ação praticada por alguém, o verbo deverá concordar com o sujeito, que é o termo paciente. Observe a frase:
q - ''Vendem-se apartamentos''. Nessa frase, o pronome 'se' acompanha verbo sem preposição (Quem vende, vende algo), seguido de termo paciente (O apartamento é vendido por alguém), que é o sujeito do verbo, por isso, como o sujeito 'apartamentos' está no plural, o verbo também deverá ficar no plural.
Dúvidas? Pesquise no site www.gramaticaonline.com.br. Lá há a gramática completa e gratuita. Até a próxima!

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