No séc. III a.C., um chinês chamado Kwantzu disse que se quiser planejar para décadas, hão de se plantar árvores; se quiser, porém, planejar para toda a vida, há de se educar o homem.

A sociedade atual tem-se preocupado bastante com o meio ambiente: a falta de água, o aquecimento global, o desmatamento, as mudanças climáticas, a poluição nas grandes cidades, enfim, tem-se preocupado com os problemas que enfrentamos no dia a dia concernentes à natureza e à qualidade de vida. Essa preocupação logicamente é válida, afinal, se a vida no planeta se deteriorar, a nossa existência estará comprometida. O problema, porém, é como isso foi encarado em todos os tempos, inclusive na atualidade.

Sempre existiu o temor de ''acabar o mundo''. Sempre houve a intenção de salvar o planeta: na década de setenta, a preocupação era com o clorofluorcarboneto, o CFC: em consequência da reação do cloro com o ozônio e de outros fenômenos, a camada de ozônio do planeta é destruída, o que provoca câncer de pele e redução das colheitas, entre outros problemas. Hoje, a grande preocupação é o aquecimento global, que pode, inclusive, provocar a desertificação de algumas áreas e o derretimento das geleiras. São problemas encarados pelos países na tentativa de encontrar as melhores soluções a fim de evitar o pior para o planeta. São protocolos variados; são predisposições para conceder recursos pelo meio ambiente.

Resultado quase nulo

A questão a se examinar, porém, é a participação de cada um de nós nisso. Há vontade política, há plantio de árvores, há campanhas para tentar conscientizar a população a respeito dos problemas ambientais, realizadas por igrejas, escolas e redes de televisão, mas o resultado é quase nulo. Participe de uma dessas campanhas em que centenas de pessoas se reúnem para ''conscientizar a população'' e observe como deixam o local: cheio de lixo. Poucos levam consigo o lixo produzido; a maioria simplesmente o joga ao chão. Aliás, isso acontece em qualquer lugar em que haja aglomeração de pessoas: shows, locais de lazer, salas de cinema, bares, etc, inclusive nos pátios de escolas públicas e particulares, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, onde supostamente a população é educada para a vida.

Mede-se a educação de um povo pelo destino que ele dá ao seu lixo: povo sem educação ''joga'' o lixo; povo educado guarda o lixo para lhe dar um destino corretamente ecológico. Lembra-me agora uma cena quando eu estava indo a São Paulo, ministrar uma palestra; na estrada Londrina-Sertanópolis, havia um carro à minha frente com um casal de jovens adultos; a moça se deleitava com um sorvete; o rapaz dirigia. De repente, a moça descarta o copinho do sorvete janela afora com a maior naturalidade. Copinho, colherzinha e um restinho de sorvete vindo de encontro ao para-brisa de meu carro, deixando-me uma lembrancinha da bela e encantadora mocinha; mas mal-educada. E não eram pessoas sem educação formal: na lataria do carro, que não era ''popular'', havia um colante de uma universidade particular, ou seja, tinham recursos para comprar um bom carro, para pagar uma universidade, para abastecer o automóvel e para o lazer domingueiro. Foram educados para plantar árvores; não para a preservação e a sustentabilidade ambiental.

Preservação e sustentabilidade

O que temos passado para nossos descendentes é uma cultura de não destruição, por isso ensinamos a plantar árvores e a economizar água (alguns pensam apenas em gastar menos no fim do mês, sem intenção ambiental, sem refletir sobre a destruição dos mananciais). Essa nossa cultura é egoísta, pois pensamos tão somente em nossa qualidade de vida; pensamos nas décadas que passamos aqui no Planeta, por isso plantamos árvores, para nosso conforto. A cultura que deveríamos passar é a de preservação, de sustentabilidade. É uma cultura altruísta; é pensar na vida do Planeta, não na nossa. Para isso, precisamos educar nossas crianças para que tenham consciência do impacto que elas mesmas causam ao meio ambiente deixando rastros de lixo por onde andam, descartando a bateria de seu celular sem o devido cuidado, deixando as luzes acesas em ambientes vazios e aparelhos eletrônicos ligados, tomando banhos demoradíssimos com a água jorrando o tempo todo, entre outras ações perniciosas ao Planeta.

É preciso planejar para a vida futura, para nossos descendentes. É preciso fazer parte da solução, não do problema. É preciso educar-se para ajudar as demais pessoas a se educarem também.

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