EDUCAR-SE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Dilson Catarino 
O QUE SOU, SOU
Às vezes, quando acordo de manhã, me sinto como uma rã, pequenino e pegajoso. Mas, mesmo assim, coaxante, saio quase saltitante, pelas ruas de meu mundo.
Às vezes, na hora do almoço, fico feito beija-flor. É o néctar da amizade e do amor que me alimenta. Fico forte, fico ágil, me afasto de qualquer dor.
Sempre, no crepúsculo da tarde, não sou rã nem beija-flor, pois eu vejo que o importante não é o que pareço ser, fraco ou forte, herói ou nada. O que importa é o que eu sou.
Sou quem sou, nem mais nem menos. Sou quem sou, não mais jovem, mas autêntico. Com defeitos, com virtudes, com medos e com coragem.
Sou assim, desse jeitinho. Sou quem sou. O que sou, sou! Sou feliz como sou.
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SIM OU NÃO
Gosto de mim como eu sou, mas poderia ser diferente. Quem sabe os olhos de outra cor ou os cabelos mais atraentes. Minhas pernas mais torneadas, minha pele mais perfumada, minha mente mais arejada.
Ou não
Gostaria de ter mais tempo, gostaria de ler mais, de mais filmes poder ver, de mais amigos leais. Quereria mais equilíbrio em minha vida, mais aventura no dia a dia e mais ações irrefletidas.
Ou não
Às vezes fico perdido à procura de quem sou. O que encontro nem sempre é o que quero, mas sou feliz como sou.
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DELÍRIOS PONDERÁVEIS
Sempre julguei meus delírios ponderáveis e acariciei minhas vaidades com paixão, mas, agora, quando vejo o passado que muitos preservaram, sinto-o farto de lascivos anseios e percebo que minhas lágrimas se enrijeceram. Não tenho histórias fantásticas para entreter minhas filhas; não tenho raízes donde possa retirar convicções; não tenho aliciamentos passionais nem nunca engendrei impetuosos arrebatamentos.
A vida passa como brisa em sinos japoneses, mensageiros dos ventos, suscitando melodia suave e constante, sem grandes tessituras. Quereria meus dias como uma tarde de inverno, aconchegantes esperas do ''passar o tempo''.
Vejo-me querendo afastar-me das pessoas quando estou só, e vêm-me elas a procurar-me. Prefiro sempre a solidão, o silêncio continuamente a me espreitar.
Insistentemente, porém, estou a me aproximar. Num paradoxo, busco me expressar, talvez até ferindo minha propensão natural.
Não sei... não sei...
Não sei se sinto ou se faço. Só sei que fico. Mormaço...
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FAMÍLIA
Minha família não é composta estritamente pelas meninas e pelo amor da mulher que me conduz. Há muito mais formando nosso lar: cães, gatos, alguns pássaros e iguanas, chinchila, hamster chinês e tartarugas passeando quietas por entre as flores contentes do jardim.
Há muitas coisas também importantes: O isqueiro de meu pai e o estojo de minha mãe; o relógio de meu avô; os livros antigos e os discos de vinil. O trabalho, o estudo atento, a leitura, o almoço todos juntos, a sesta preguiçosa, o lanche da tarde, os passeios sem rumo, os amigos, a música solta, os filmes nas tardes de domingo.
As saudades, a pureza e a benquerença, o respeito, a amizade e a confiança; o amor da mulher que me conduz e a perpétua e sólida felicidade
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SINA SEM FIM
Minha sina é ser feliz. Sinto pelo sino que ouço de manhã; sino batendo, lambendo os hormônios.
É de manhã; frio aconchegante.
Caminhar pela brisa; arrepio estonteante.
A guitarra que me falta. A voz que me falha. A falha que me luz. Luz que me seduz. A falha que me ...
Nada que me nada. Tudo me seduz em nada.
Minha vida é suave. Sem defesa é a sua beleza que me fascina. É minha sina. Você é minha tinta, meu arrepio aconchegante, meu nada estonteante. É tudo em um instante.
Você é minha sina. Minha sina é ser feliz.
Sinto por seu beijo, sua voz, sua luz. Tudo em você me seduz.
Sina sem fim.


