O estudo do infinitivo na Língua Portuguesa é bastante complexo, já que, em alguns casos, ele deve ser flexionado, em outros, ele pode ser flexionado, e em outros ainda ele não se flexiona. Será denominado flexionado quando possuir desinência verbal, que são as seguintes: ''-es'': Era para tu cantares; ''-mos'': nós cantarmos; ''-des'': vós cantardes; ''-em'': eles cantarem. A primeira e a terceira pessoas do singular (eu, ele, ela) são representadas pelo infinitivo não flexionado: Era para eu cantar, ele cantar.
Infinitivo Flexionado: Usa-se o infinitivo flexionado nos seguintes casos:
Quando surgir um pronome ou um substantivo escrito na mesma oração do verbo, funcionando como sujeito dele: ''Não é necessário vocês chegarem mais cedo''. O sujeito do verbo ''chegar'' está claro: ''vocês''.
Mesmo não sendo claro o sujeito, pode-se flexionar o infinitivo: (A flexão deixa a frase mais elegante): ''Não é necessário chegarem mais cedo''. (O sujeito não está escrito na oração, mas torna-se claro que a ação é direcionada a mais de um elemento: ''vocês'').
Quando o sujeito do verbo no infinitivo for diferente do sujeito do verbo da outra oração, flexiona-se o infinitivo: ''Vejo estarem atrasados mais uma vez''. O sujeito de ''estar'' (vocês) é diferente do sujeito do verbo da outra oração: ''eu''.
Obs.1: Se o sujeito do verbo no infinitivo for o mesmo do verbo da outra oração, a flexão do infinitivo não é necessária. Não é, porém, proibida: ''Reunir-nos-emos com eles para apresentar (ou apresentarmos) o projeto''. O sujeito de ambos os verbos (reunir e apresentar) é o mesmo: ''nós''.
Obs.2: Quando o infinitivo estiver depois da preposição ''a'', é o caso mais polêmico, pois há gramáticos que admitem a flexão do infinitivo e há gramáticos que não a admitem. O mais recomendável é aceitar ambos os casos, ou seja, quando o infinitivo estiver depois da preposição ''a'', usa-se tanto o infinitivo flexionado quanto o não flexionado: ''O rapaz ajudava as garotas a superar (ou superarem) suas dificuldades em Matemática''.
A única exceção ocorre quando a oração estiver na voz passiva (com sujeito sofrendo a ação verbal): nesse caso, o infinitivo será flexionado: ''Essas são as tarefas a serem feitas''. (A oração está na voz passiva, pois o sujeito tarefas sofre a ação de fazer).

Infinitivo não flexionado: Usa-se o infinitivo não flexionado nos seguintes casos:
Como verbo principal de locução verbal, usa-se o infinitivo não flexionado: ''Os alunos podem sair mais cedo hoje''. O verbo ''sair'' é o principal da locução verbal ''podem sair''.

Sujeito acusativo: Quando o verbo da oração principal for ''fazer, mandar, deixar, ver, sentir, ouvir'' e o complemento desse verbo for uma oração cujo verbo esteja no infinitivo, chamamos o sujeito do infinitivo de sujeito acusativo.
Se o sujeito acusativo for um pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, nos, vos, os, as) ou um substantivo singular, usa-se o infinitivo não flexionado: ''Mandei o garoto sair de lá''; ''Mandei-os sair de lá''.
Obs.: Se o sujeito acusativo for um substantivo plural, pode-se usar tanto o infinitivo flexionado quanto o não flexionado: ''Mandei os garotos sair (ou saírem) de lá''.
Quando o infinitivo não se referir a sujeito algum, será não flexionado: ''Navegar é preciso; viver não é preciso''.
Quando, após adjetivo, preceder o infinitivo de preposição, será não flexionado: ''São casos difíceis de solucionar''. Depois do adjetivo ''difíceis'' há a preposição ''de''; o verbo ''solucionar'', que está no infinitivo, não pode ser flexionado.
Quando der ao infinitivo valor de imperativo (ordem, pedido, conselho, apelo), ele será não flexionado: ''Soldados, recuar!''

mockup