EDUCAR-SE - EM BUSCA DE SENTIDO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Dílson Catarino 
Em busca de sentido - Um psicólogo no campo de concentração é o título do livro do psiquiatra vienense Viktor Frankl, publicado no Brasil pela Editora Vozes, no qual narra sua trágica experiência como prisioneiro nos campos de concentração nazistas e lança as bases de sua teoria psicológica denominada de Logoterapia, que ''se concentra no sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por este sentido. Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano''.
Viktor Frankl costumava perguntar a seus pacientes perturbados por sofrimentos por que não optavam pelo suicídio. A partir da resposta dos pacientes, ele encontrava as linhas da psicanálise a ser usada, pois, a partir dessas respostas, estava o sentido da vida deles. É o amor aos filhos ou a qualquer outra pessoa; é uma obra a ser executada; é a própria existência. O que dá sentido à sua vida? É isso que o faz permanecer vivo. É nisso, então, que se deve investir para dar mais sentido a tudo que se faz no dia a dia. Um sofrimento pode ser aplacado com coisas simples, como a imagem de pessoas amadas, um sentimento religioso ou uma mera visão de belezas naturais, como o nascer do sol ou o voo de um belo pássaro.
Segundo Frankl, viver é sofrer, e sobreviver é encontrar sentido na dor; se há, de algum modo, um propósito na vida, deve havê-lo também na dor e na morte. Cabe ao indivíduo buscar a capacidade de escolher a atitude pessoal diante de determinado conjunto de circunstâncias e uma visão positiva da aptidão humana de transcender qualquer situação e descobrir uma adequada verdade orientadora. Para ele, a vida tem um sentido potencial sob quaisquer circunstâncias, mesmo as mais miseráveis. Por ao menos duas vezes ele cita uma frase de Nietzsche, filósofo alemão do séc. XIX: ''Quem tem por que viver, pode suportar quase qualquer como''.
Para ele, então, o sentido da vida está na maneira como ela é vivida. Ele registra como essencial a teoria de Fiodor Dostoievski, segundo a qual, ''o ser humano a tudo se habitua''. O sentido da existência consiste na atitude com que a pessoa se coloca face à restrição forçada de fora de seu ser. Interiormente somos mais fortes que nosso destino exterior, e as situações exteriores nos dão a oportunidade de crescimento interior.
O segredo está em acreditar que pode haver um futuro promissor, pois quem não acredita no seu futuro, perde o apoio espiritual, sucumbe interiormente e decai física e psiquicamente. Ele diz que há uma estreita relação entre o estado emocional de uma pessoa e as condições de imunidade do seu organismo. Quem, portanto, acredita em si mesmo e tem atitude positiva diante dos acontecimentos, corre menos riscos de somatizar enfermidades.
Viktor Frankl, com sua Logoterapia, acredita que não importa o que temos de esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós. Não se deve perguntar pelo sentido da vida, mas experimentar-se a si próprio como o indagado, como aquele ao qual a vida dirige pergunta que precisam ser respondidas apenas por meio da ação, da conduta correta. Viver não significa outra coisa que arcar com a responsabilidade de responder adequadamente às perguntas da vida, que cumprir as tarefas colocadas pela vida, que cumprir a exigência do momento. Mesmo diante do sofrimento, a pessoa precisa conquistar a consciência de que nesse sofrimento está também a possibilidade de uma realização única e singular.
Quem se dá conta de sua responsabilidade perante a vida, jamais quererá se desfazer dela, seja no sentido literal seja no metafórico.


