EDUCAR PARA A CIDADANIA - Respeito às diferenças
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Nunca a palavra "bullying" foi tão comentada como nos últimos anos. Se algumas atitudes e comportamentos de crianças eram tolerados e, muitas vezes, visto como inofensivos, hoje, qualquer indício de discriminação e preconceito estão, definitivamente, na mira de combate de pais e professores. Para isso, escolas lançam mão de campanhas de conscientização, sensibilizando com atividades que reforcem valores de tolerância e respeito ao próximo. O objetivo é criar um ambiente em que todos possam conviver em harmonia, sem que haja diferenciação em questões de raça, classe social, religião, condição física, personalidade, orientação sexual, entre outros.
Diante disso, a Escola Municipal João XXII, da região norte de Londrina, decidiu eleger o tema "diversidade" em suas atividades pedagógicas deste ano. Para tanto, escolheu a Feira do Livro para abordar o assunto de forma lúdica e prazerosa em toda sua programação. Ao mesmo tempo, além do tema em si, o projeto vem ao encontro do programa de capacitação da Secretaria Municipal de Educação Londrina de educar para a diversidade e a cidadania, com base nas leis 10.639/03 e 11.645/08, que preveem a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena.
Segundo a auxiliar de supervisão Luciane dos Santos Barbosa, a diversidade é sempre trabalhada com os alunos, mas faltava sistematizar o conteúdo de maneira mais profunda. "Trabalhamos esses temas, mas acabava sendo de forma mais sucinta e fragmentada, com mais ênfase nas datas comemorativas. Percebemos, entretanto, a necessidade de abordar de forma integral com as crianças." O projeto incentiva o contato criativo da literatura com outras formas de arte e cultura, como o teatro, a música e a dança. Tudo culminou numa grande apresentação cultural para e com todos os alunos na semana passada.
A primeira ação foi o processo de escolha de livros de leitura pelos próprios alunos, de acordo com a afinidade de cada turma e conforme a idade. "Disponibilizamos uma gama de livros para que eles se familiarizassem. Cada obra aborda a diversidade de maneira distinta: um livro fala sobre a cor da pele, outro sobre estereótipos, diferenças entre os animais e assim por diante. Todas as diferenças são tratadas como algo a ser respeitado." Depois da escolha, o conteúdo de cada livro foi trabalhado em atividades na Hora do Conto e uma programação especial de empréstimos de livros para leitura.
Paralelamente, as disciplinas de Matemática, História, Geografia, Artes e Português também tiveram atividades, como produção de textos e caricaturas. Uma das ações que teve bastante adesão e empenho foi a confecção de pequenas bonecas de pano, chamadas "abayomi". "A história despertou muito interesse nos alunos. Na época dos navios negreiros, em direção ao Brasil, as mulheres rasgavam pequenas tiras de tecido da barra das próprias saias. Depois de vários nós, essas tiras transformavam-se em bonecas. Era uma forma que as mães encontraram para que os filhos pudessem brincar, deixando o ambiente menos opressor", conta Luciane. As bonecas foram expostas no pátio da escola.
No dia da apresentação, os alunos dramatizaram a história dos livros escolhidos, assim como músicas, destacando a valorização das relações humanas e estimulando que todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas. A turma do segundo ano, por exemplo, fez um teatro em que cada criança representou uma personalidade diferente. "Previamente, já tinha trabalhado um livro que diz que que ninguém é igual a ninguém, mas, nem por isso, é pior ou melhor. Deixei que cada um escolhesse um personagem. Muitos deles escolheram de acordo com sua próprias características: o mais nervoso, o gordinho, o branco, o negro. Com isso, viram que todas as diferenças devem ser valorizadas", conta a professora Alexandra Berg.
A escola recebeu, também, grafites de crianças representando as diferentes etnias, feitos pelo grafiteiro londrinense Huggo Rocha, ideia que surgiu após visita dos alunos do segundo e terceiro ano a uma exposição de obras dos grafiteiros no Museu de Arte de Londrina.


