EDUCAÇÃO Toques para motivar o aprendizado
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Imaginar a vida sem prazer seria lamentável. E, na escola, a história se repete... Essa é a idéia da pedagoga Maria Augusta Sanches Rossini, que na última sexta-feira lançou o livro ''Aprender tem que ser gostoso...'', pela Editora Vozes. Há trinta anos na profissão, Maria Augusta vê com otimismo o tempo atual e defende o investimento em ''tecnologias do conhecimento humano''. Exemplificando essa idéia, cita frase do filósofo francês Voltaire: ''Quem não vive o espírito do seu tempo, do seu tempo aproveita apenas os males.'' Em 2001, lançou ''Pedagogia Afetiva'', que já está na sua quarta edição, e foi traduzido para o espanhol, direcionado para o mercado da América Latina e México.
Para a pedadoga, a força motriz para o aprendizado prazeroso é a motivação, seja interna - que é inerente a cada ser humano - ou externa - que depende de reforços externos. No caso dos professores, uma das sugestões do livro é a utilização de ''toques'' para fazer a motivação externa dos alunos. Os toques, que para as crianças está mais relacionado ao toque físico, com o crescimento, é substituído pelo ''toque psicológico''. ''Precisamos investir nisso, pois parece que hoje em dia a nossa crise econômica também chegou nas nossas relações interpessoais: economizamos afeto, elogios, envolvimento...'', destacou Maria Augusta.
Na avaliação de Maria Augusta, os toques psicológicos podem ser sintetizados em quatro tipos: Incondicionais - que geram um efeito de aceitação (''Eu te amo'') ou rejeição na pessoa (''Eu não te aceito''); Condicionais - moldam o comportamento, é autêntico, mobiliza e provoca ação; Plásticos - não é autêntico, toque do puxa-saco, do falso, do irônico; Manutenção - serve para manter relacionamentos, pequena intensidade, usada em normas vigentes. Aplicados com as necessidades humanas, os toques poderiam facilitar a realização humana, fazendo com que o indivíduo tenha mais prazer ao ser valorizado. Na hierarquia das necessidades humanas, cabe ao professor observar que elas passam pelas necessidades fisiológicas, autonomia/segurança, aprovação e aceitação social, auto-estima e consideração e, finalmente, realização.
Dentro deste novo conceito educacional, que considera a atual realidada contemporânea complexa e desafiadora, estabelece a educação baseada em quatro pilares: ser, conviver, conhecer e fazer. Para Maria Augusta, o conceito de ''conviver'', com o processo da globalização, acaba se priorizando. ''Nos aproximamos, mas ainda temos dificuldades de convivência, no sentido prático e conceitual, e isso precisa ser trabalhado em sala de aula.''
Sem tirar o aspecto formativo das crianças, o processo de aprendizagem precisa ser eficaz, ou seja, que o aluno aprenda a aprender, com prazer. Sua proposta pedagógica também defende as aulas baseadas no conceito de ''núcleos interessantes''. Nesse sistema, a prioridade seriam as necessidades humanas do aluno trabalhadas em métodos socializados que aproveitam o meio original do aluno. ''É uma idéia simples, mas que gera muita motivação. E pode-se aproveitar problemas locais como a falta de água, o perigo das drogas para um estudo mais aprofundado e prazeroso'', afirmou. Segundo a pedagoga, a idéia é simples, mas ainda pouco utilizada. No livro, orienta quanto ao cuidado na escolha, sugere temas e planejamento das aulas.
''Encaro a profissão de professor como uma missão. O bom professor é pró-ativo, antecipa as ações, toma iniciativa e sabe perceber as necessidades do seu aluno'', acredita Maria Augusta. Ao professor que não saberia identificar as necessidades do aluno, ela sugere mais aprofundamento em conceitos de inteligência emocional (QE) e espiritual (QESP). ''Não tem como proporcionar uma aula prazerosa sem auto-aperfeiçoamento'', disse.
Questionada sobre o aumento da violência nas escolas, Maria Agusta sintetizou que nada mais é do que a decorrência de necessidades humanas não satisfeitas como fome, proteção, afeto. A indisciplina em sala de aula também seria um forte indício dessa frustação, que precisa ser investigada. A pedagoga também salienta que todo o processo deva ser feito em parceria com a família. ''A escola não pode assumir sozinha o papel de formação de caráter. Isso seria prejudicial, provocando falta de referencial familiar na criança'', afirmou.


