Educação sem exclusão cultural
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A obrigatoriedade do ensino da História e da Cultura Africana e Afro-brasileira na educação nacional será debatida a partir de hoje na Universidade Estadual de Londrina. Um cronograma de palestras, oficinas e mesas-redondas examinará o tema com base na lei 10.639/03, que estabelece a inclusão da disciplina em salas de aula do ensino fundamental ao ensino superior.
A programação culminará no seminário Educação e Diversidade Étnico-Racial, agendado para agosto. Um dos participantes é o professor da Universidade de Coimbra (Portugal), Pires Laranjeira, que faz a conferência de abertura hoje, das 8h às 12 horas, no Anfiteatro Maior do Centro de Ciências Humanas (CCH). A implementação da lei, um dos desafios enfrentados atualmente pela educação brasileira, representaria segundo seus defensores um avanço no processo de luta da etnia negra contra as desigualdades raciais.
Seu objetivo é resgatar e valorizar a contribuição dessa comunidade para a formação social e cultural da sociedade brasileira. A lei foi aprovada em janeiro de 2003. Mas as iniciativas para implementá-la têm sido lentas. Para agilizar sua implantação, o Ministério da Cultura criou o programa Uniafro em 18 universidades do País, que atuam como núcleos de formação e auxílio aos professores e educadores sobre o tema explica a professora-Doutora Maria Nilza da Silva, coordenadora do programa em Londrina.
Na UEL, o Uniafro é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Afro-Asiático em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e o Núcleo Regional de Educação de Londrina (NRE). Pelo Programa, uma série de eventos colocará o assunto em pauta visando contribuir para a capacitação dos profissionais da educação de Londrina e região na implantação e implementação da Lei.
A conferência de abertura, hoje, terá como tema A Civilização Africana: Contributo para Mudar o Mundo. Pires Laranjeira, o expositor, é especialista em literatura africana. É autor de livros como Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, Antologia da Poesia Pré-Angolana e A Negritude Africana de Língua Portuguesa. A programação continua às 14 horas com as palestras A História Africana na Perspectiva da Lei 10.639/03 e Resistência Negra na História do Brasil, ministradas respectivamente pelas profas-Doutoras Lúcia Helena Oliveira Silva e Enezila de Lima, ambas docentes do Departamento de História da UEL.
Amanhã, duas palestras ocorrem no período da manhã, entre 8 e 12 horas: O Negro no Pensamento Social Brasileiro, com profa-Doutora Maria José de Rezende (Ciências Sociais/UEL), e Desigualdades Étnico-raciais no Brasil, com a profa-Doutora Maria Nilza da Silva (Ciências Sociais/UEL). Também amanhã, das 14h às 18 horas, serão realizadas as oficinas Hip Hop na Escola, A Ancestralidade Africana na Prática Educativa do Jongo, Mitologia e Religiosidade Afro-Brasileira e O Negro Como Objeto e Sujeito de Uma Escritura.
A programação é dirigida preferencialmente para professores da rede pública de ensino, mas a participação é aberta para a comunidade em geral. Uma taxa de R$ 3,00 será cobrada pelo certificado (só para quem participar dos dois dias de atividades). Estão previstos eventos ainda nos dias 30 e 31 de maio e 28 e 29 de junho. O Seminário, em agosto, será realizado nos dias 29, 30 e 31.
SERVIÇO:
Hoje
- Conferência de abertura A Civilização Africana: Contributo para Mudar o Mundo, com Pires Laranjeira. Horário: 8 horas.
- Palestra A História Africana na Perspectiva da Lei 10.639/03, com Lúcia Helena Oliveira Silva. Horário: 14 horas.
- Palestra Resistência Negra na História do Brasil, com Enezila de Lima. Horário: 14 horas.
* Todas as palestras ocorrem no Anfiteatro Maior do CCH na UEL
Amanhã
- Palestra O Negro no Pensamento Social Brasileiro, com Maria José de Rezende. Horário: 8 horas.
- Palestra Desigualdades Étnico-Raciais no Brasil, com Maria Nilza da Silva.
Horário: 8 horas.
* As duas palestras ocorrem no Anfiteatro Maior do CCH na UEL
- Oficina O Hip-Hop na Escola, ministrada por Frederico Augusto Garcia Fernandes
- Oficina A Ancestralidade Africana na Prática Educativa do Jongo, ministrada por Carolina dos Santos B. Perez
- Oficina Mitologia e Religiosidade Afro-Brasileira, ministrada por José Abílio Perez
- Oficina O Negro como Objeto e Sujeito de Uma Escritura, ministrada por Giselda Melo dos Santos
* As oficinas serão realizadas das 14 às 18 horas nas salas 669, 670, 674 e 675 do CECA na UEL.
Mais informações pelo fone (43) 3371-4599.


