EDUCAÇÃO RELIGIOSA Deus nos bancos escolares
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de março de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Esqueça o ranço daquelas aulas de religião catequéticas, doutrinárias e massantes. Hoje em dia as aulas de educação religiosa ou formação cristã estão modernizadas e é raro ter alunos que não queiram assisti-las embora haja amparo legal para isso. A última edição da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, artigo 33, determina que a oferta da disciplina é obrigatória por parte das escolas, mas a matrícula dos alunos na disciplina é facultativa. Já a instrução 01/06, do Conselho Estadual de Educação, orienta que no Paraná a disciplina deve ser oferecida de forma obrigatória para as 5 e 6 séries, mas muitas escolas optam por disponibilizá-la para todos as série. E diferente da normatização de 1961, a nova LDB enfoca a maneira como esse ensino deve ser feito: sem proselitismo e como forma de entender o mundo.
No Colégio Marista, de denominação católica, a educação religiosa contempla todas as séries, desde o ensino infantil, sendo realizadas duas aulas por semana, com exceção do ensino médio que tem a disciplina apenas uma vez por semana. De acordo com a professora Josmari Migliorini, coordenadora do ensino religioso, a foco do trabalho não é doutrinário, voltando-se ao desenvolvimento da espiritualidade como parte da formação integral do ser humano.
Segunda ela, pela forma como o trabalho é conduzido a convivência entre os alunos de várias denominações religiosas é harmônica. ''Já tivemos alunos hindus, budistas e todos aprendiam a ter uma atitude de respeito diante da religião alheia'', afirmou. Já os alunos católicos, no contraturno, podem participar da Pastoral Juvenil Marista (PJM), que promove encontro de jovens e atividades mais confessionais.
No Marista, o início da primeira aula é sempre dedicado a uma oração ou reflexão. ''Cada professor opta por aquilo que achar melhor. Tem aqueles que gostam de iniciar com a oração universal do Pai-Nosso, outros optam por fazer uma reflexão em grupo sobre algum assunto determinado, e quando tínhamos alunos hindus, eles também participavam com algumas preces'', comentou.
Com um projeto didático que busca não repetir os conteúdos, a cada bimestre há um tema novo a ser trabalhado. Atualmente a 8 série está se dedicando ao estudo sobre a importância da partilha e do voluntariado, dentro da temática da consciência religiosa da humanidade. Durante a aula de religião em que assistiam ao filme ''Patch Adams - O Amor é Contagioso'', a oportunidade de despertarem a atenção para o assunto. ''Precisamos superar aquela ideia de doação, 'de dar o que me sobra', e insistirmos no envolvimento efetivo nas questões sociais, de 'pôr a mão na massa''', ressaltou a professora Josmari, que também informou que algumas aulas acontecem na capela do colégio.
No ano passado essa mesma turma participou de um projeto que abordava os valores religiosos que dão sentido à vida e que culminou com o acompanhamento de uma sessão da Câmara em plena crise de corrupção e uma visita ao então prefeito Nedson Micheleti. ''Procuramos fazer uma leitura religiosa do cotidiano e levar a teoria à prática'', acrescentou.
No Colégio Estadual Evaristo da Veiga o ensino religioso é ofertado para os alunos de 5 e 6 séries e no ato da matrícula o responsável pelo aluno já tem que declarar se ele irá participar ou não da aula de religião. Em caso da não adesão à aula, que é raro, o aluno fica na supervisão fazendo alguma atividade complementar. ''No começo os alunos têm um certo preconceito, acham que vai ser igual à catequese, mas logo descobrem que é um espaço para refletir e discutir com liberdade sobre vários temas relacionados à vida cotidiana deles. Trabalhamos com valores da vida, que antes de mais nada estão vinculados a aspectos de cidadania'', concluiu a pedagoga Eliane Maria Ferreira Camargo Torelli.


