Eles são jovens, mas já cheios de metas, garra, responsabilidade e determinação. Em mais uma edição do programa ''Miniempresa'', da Junior Achievement, um total de 325 alunos de Londrina do segundo ano do Ensino Médio estão aprendendo a ter uma cultura empreendedora. Ao todo, participam 14 escolas particulares e públicas da cidade; no Paraná, são 1622 alunos participantes.
Estruturado em 15 encontros semanais, denominados de ''jornadas'', os alunos têm a oportunidade de vivenciar na prática todo o processo de criação de uma empresa, incluindo planilha de custo, definição e elaboração de produto, venda de ações, entre outros quesitos da área administrativa de negócios. Para o início de novembro, no Catuaí Shopping, está prevista uma feira com os produtos desenvolvidos por todas as escolas participantes: uma boa chance de conferir a criatividade e espírito empreendedor dos nossos jovens líderes.
No Colégio Universitário, que participa do programa há seis anos, a equipe de 24 alunos da Cia. dos Sonhos decidiu investir na criação de fronhas customizadas e aromáticas tendo como público-alvo as crianças. Entre os modelos já disponíveis estão a fronha de panda e do personagem Mike Wazowski (do filme Monstros S/A), mas ainda serão elaboradas fronhas com os motivos de Mickey Mouse, IPhone e Londrina (decorada com barbatanas do tubarão - mascote do time londrinense). Os aromas utilizados são de lavanda, alfazema e camomila. A meta é produzir 300 fronhas, que serão comercializadas a R$ 29,90 a unidade.
O objetivo é reverter o dinheiro utilizado com o pagamento dos salários (simbólicos) dos participantes e do lucro de venda em benefícios do Hospital do Câncer e da ONG Viver. O grupo também está arrecadando alimentos para essas entidades e já comemora o estoque com mais de 100 quilos de alimentos. Como um dos objetivos do programa ''Miniempresa'' é também incentivar ações sustentáveis, a equipe está negociando com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a doação de 500 mudas de árvores.
''Através de treinamento e simulações, convivemos com os problemas de uma empresa de verdade e precisamos buscar soluções'', comenta Douglas Higuchi, 16 anos, na função de presidente da empresa. Já Gustavo Minho Kakao, 16 anos, responsável pela direção de marketing, explica que o conceito de sustentabilidade não foi possível ser aplicado no produto que escolheram e que por isso a equipe decidiu atuar também na área filantrópica e ambiental.
A assistente da coordenação do Ensino Médio, Jane Alves Pereira Machado, lembra que muitos alunos definiram suas escolhas profissionais a partir da participação no programa ''Miniempresa''. ''O programa exige muita disciplina e organização para se obter sucesso, mas nunca vi nenhum aluno se arrepender de ter participado'', diz. A coordenadora do Ensino Médio, Rosa Maria Cardoso, ressalta que os conceitos de empreendedorismo vêm sendo trabalhados no colégio desde a educação infantil, com o enfoque em um melhor preparo emocional para as escolhas profissionais. ''Trabalhamos a questão dos sonhos em cada fase do desenvolvimento. As habilidades, aptidões e estratégias necessárias para uma escolha mais coerente, assim como aprender a lidar com as perdas e frustrações.''
No Centro Estadual de Educação Profissionalizante Prof Maria do Rosário Castaldi a produção da empresa Floribella também está a todo vapor. Com a meta de produzir 150 porta-objetos decorados em MDF, os alunos não medem esforços para embelezar as caixas de madeira com pintura, tecido, papel toalha decorado e apliques de papel. A maioria concorda que o mais difícil do processo da ''Miniempresa'' é a escolha do produto, que foi definido após debate de ideias e pesquisa de mercado. Os porta-objetos serão comercializados com preços que variam de R$ 17 a R$ 20, conforme o tamanho e o modelo do produto.
Contando com as orientações dos advisers (conselheiros) Nathália Cândido, 26 anos, gerente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) que pela primeira vez participa como voluntária do programa, e Victor Hugo Talassera, 19 anos, projetista elétrico há dois anos voluntário, o grupo conta que chegou a pensar em fazer relógio de parede, necessaire e porta-guardanapo. No ano passado o grupo então participante desenvolveu uma caneca térmica feita de latinha de alumínio que rendeu quatro prêmios para a escola: uma motivação a mais para a equipe atual.
''Trabalhoso, porém proveitoso'', assim os alunos definem a oportunidade de participarem do programa. Eles também criaram o Instituto Floribella, que irá realizar o plantio de 100 mudas de árvores e reverter os lucros e comissões de venda em alimentos para a Apae de Londrina. ''No mundo dos negócios nem sempre é possível que tudo seja sustentável, então procuramos fazer essas ações'', explica a adviser Nathália.
Há três anos coordenando o projeto na instituição, a professora Cleide Camargo - responsável pelo ensino das disciplinas técnicas da área de administração -, avalia que ele tem sido uma ferramenta extremamente útil para os alunos vivenciarem na prática a teoria que veem em sala de aula. ''Vivenciam na realidade os conflitos e conquistas de uma empresa de verdade e aprendem a ter jogo de cintura para lidar com a prática e a teoria. Gostaria que houvesse vagas para todos os alunos participarem'', acrescenta.
A aluna Mayra Cristina da Silva Julio, 16 anos, a ''presidente'' da equipe, fez questão de salientar que para ela o principal desafio foi aprender a respeitar a divergência de opiniões e lidar com o papel de liderança. ''Foi difícil, mas aprendi que a empresa depende de um todo, da união do grupo, e espero que isso fique marcado na minha vida'', garante.

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