Educação para construir a paz
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segunda-feira, 16 de junho de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Com a incidência cada vez maior da violência nas escolas, está se intensificando a discussão de formas de reverter esse quadro. Para muitos educadores, o caminho é definitivamente a educação. Dentro dessa proposta, é desenvolvida em Curitiba, pelas Faculdades Integradas ''Espírita'', desde 1983, a metodologia da ''educação em valores humanos''. Baseada na proposta do educador indiano Sai Baba, ela está alicerçada em cinco valores humanos: amor, paz, verdade, não-violência e ação correta. Os valores são trabalhados em cinco níveis de consciência: físico, psíquico, mental, emocional e espiritual.
Pioneira neste estudo, a faculdade disponibiliza nesta área cursos de extensão para as 11 graduações da faculdade, pós-graduação e cursos de capacitação, direcionados para professores e interessados afins. A metodologia também é oferecida para os cursos livres de parapsicologia, yoga e naturologia aplicada. Além disso, a faculdade aplica a metodologia na escola que mantém dentro do campus, que atende alunos da pré-escola até a 8 série; em uma escola rural, em grupos da terceira idade e nos funcionários da instituição.
Uma das coordenadoras do curso, Karla Muller, explica que a metodologia trabalha com a tradição oral, cantos grupais e dinâmicas de grupo voltados para os valores humanos, em métodos chamados diretos e indiretos. ''Os professores que passam pela capacitação ficam extremamente animados com a metodologia e pela facilidade da sua aplicação, independente da idade dos alunos'', disse Karla.
No direto, desde o início da aula o aluno é estimulado a refletir sobre alguns dos cinco valores fundamentais e seus subvalores. A aula inicia-se com uma harmonização, que pode ser considerada uma forma de relaxamento ou quietude, acompanhada de música calma. Depois, os alunos são convidados a trabalhar o tema sugerido na reflexão através de um dinâmica de grupo, o conto de uma história, e o compartilhamento de opiniões. No final, o professor apresenta o resultado do trabalho, e estimula o questionamento e o senso-crítico dos alunos. Já no método indireto, o professor aproveitaria a aula curricular para trabalhar alguns dos cinco valores.
''A metodologia busca resgatar os valores humanos. Não se ensina o que é amor, mas resgata-se a sua vivência'', comentou Karla. Sobre o aumento da violência, Karla acredita que é devido à falta de evolução de consciência individual. ''Vemos uma valorização excessiva do 'ter', um desenvolvimento voltado para o exterior, sendo que o aprimoramento individual deveria ser considerado o mais importante.''
Em locais carentes, a metodologia também tem obtido boa receptividade. Karla conta que na escola rural mantida pela faculdade, em Curitiba, onde era comum ocorrerem diversos tipos de atos violentos, no início, esse novo tipo de educação foi um ''choque de realidade'', mas que mudanças significativas estão acontecendo. ''A mudança é gradual e é necessário trabalharmos os nossos extintos agressivos'', salientou.
Serviço: Mais informações pelo site www.unibem.br (Campus Universitário Bezerra de Menezes). Os cursos de capacitação para educadores podem ser de 36 e 42 horas, no nível mais avançado. Os cursos são frequentes e a instituição também aceita convite para aplicá-los em outras localidades.


