EDUCAÇÃO MUSICAL - O desafio das aulas de música nas escolas
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Ana Paula Nascimento <br>Reportagem Local 
O ensino de música nas escolas ainda é desafio para a grande maioria das instituições educacionais brasileiras. Conteúdo obrigatório dentro da disciplina de arte desde 2008, a educação musical está longe do ideal, mas há professores de arte que estão encarando o desafio de frente e procurando melhorar a sua prática pedagógica com o auxílio da música. É o caso da professora de arte Sylvia Regina Vitori Pifer Babora, que recentemente participou da oficina de Atividades Musicais na Educação Básica, oferecida dentro da programação pedagógica do 32º Festival de Música de Londrina, encerrado no último sábado.
Professora de arte do Colégio Estadual Manuel Bandeira, em Cambé, ela conta que sempre procurou incluir a música em suas aulas e ressalta a boa receptividade dos alunos. ''Mesmo os do ensino médio aceitam muito bem esse tipo de atividade'', destaca. Com conhecimento em piano clássico e popular, além de ter participado de um grupo de canto-coral, Sylvia é uma entusiasta e acredita no potencial que a música tem de desenvolver o ser humano como um todo.
Em uma de suas aulas com alunos do ensino médio, as carteiras se transformam em instrumento para que os alunos reconheçam por meio da batida das palmas das mãos sobre a madeira alguns elementos do som, como ritmo, compasso, pulsação e células rítmicas. Sem ainda nomeá-los, ela defende a importância da ''vivência'' antes do conhecimento teórico. ''Como foi ressaltado no curso, é preciso 'viver e sentir para depois pensar', algo que eu já fazia nas aulas intuitivamente'', conta. Empolgados, os alunos se divertem enquanto acompanham no ritmo a ''regência'' da professora.
Com outro grupo de alunos, vários instrumentos de percussão - como triângulo, agogô, platinela, chocalho e ganzá - fazem parte da banda rítmica que acompanha a audição da música ''Hora do Adeus'', do grupo Fala Mansa com participação de Luiz Gonzaga, cujo centenário de nascimento está sendo comemorado neste ano. O rei do baião também ganhou homenagem especial na festa junina da escola, quando os alunos apresentaram a mesma música. ''Queremos ampliar o repertório cultural deles. Eles chegam aqui apenas como consumidores e esperamos que eles fiquem mais críticos e também sejam produtores de cultura'', afirma Sylvia.
''Esses instrumentos, que compõem uma bandinha rítmica, fazem parte de um kit que o governo do Estado distribuiu no ano retrasado e, embora não sejam de muita qualidade, contribuem para um primeiro contato dos alunos com os instrumentos percussivos, podendo despertar um gosto musical maior'', avalia a professora. ''Muitos professores de arte ainda se sentem inseguros em trabalhar com o conteúdo de música, mas é preciso estudar e se preparar para isso'', argumenta.
Para a diretora Tangliane Teixeira Ribeiro, o trabalho de Sylvia é um grande aliado pedagógico: ''ela é dinâmica e didática, duas qualidades fundamentais que nem sempre conseguimos num profissional que tenha apenas a formação em música'', conclui.



