São Paulo - Vai longe o tempo em que os cruzeiros eram tão formais e elitizados que os homens embarcavam de terno e as mulheres, de chapéu. Hoje, há roteiros marítimos para todos os gostos - mais longos ou de poucos dias, para solteiros, casais e famílias, temáticos e dezenas de outras variações. Mas o fato é que sob o sol, com inúmeras atrações à disposição e festas sem fim, o clima é de total descontração.
Ótimo para quem gosta mesmo de ficar à vontade e até para quem sente alguma saudade do antigo glamour com ares de black-tie, como o empresário Francisco Orlando, 56 anos, passageiro habitué de navios desde os 16. ''Eu gostava dos cruzeiros de antigamente, mas gosto dos atuais também. Há menos glamour, mas em todos eles é possível encontrar pessoas interessantes, fazer amigos'', diz.
Com quase três mil dias de navegação no currículo e uma média de dois meses por ano passados em navios, o empresário é quase uma enciclopédia de boas maneiras a bordo - e sem qualquer resquício de caretice, pode acreditar. Quando o assunto são as roupas, por exemplo, ele defende a elegância informal. ''Leve muita roupa esporte porque é isso que você vai usar no dia-a-dia. Para embarcar, uso uma bermuda bonita e uma camisa pólo, ou um jeans acompanhado de uma malha, se estiver frio.''
Lembre-se de que é impossível manter a classe se você entra de sungão e chinelo nos espaços de alimentação - ainda que seja o bar da piscina. Por isso, tenha uma saída de banho sempre à mão.
A economista Sheila Monteiro Lima, 55, fã de cruzeiros e acostumada a todo tipo de navio, dos mais exclusivos aos mais populares, diz adorar os roteiros com público jovem e animado. ''Mas na hora das refeições, roupa adequada é fundamental. Fora do navio, você não vai a um restaurante em traje de banho''.
Um conjunto de paletó e gravata ou um vestido mais arrumado garantem a boa apresentação pessoal em noites de gala - que, segundo Francisco Orlando, também mudaram bastante em relação às do passado. ''Hoje, usar smoking é meio esnobe mesmo no baile com o comandante. Não há a mínima necessidade'', diz.
A paquera é liberada e bem-vinda. Navios são o ambiente ideal para isso - estão todos praticamente confinados ali, certo? É permitido até trocar de par todos os dias ou todas as noites. Mas baladeiros elegantes fazem isso com discrição.
Vai consumir bebida alcoólica? Tanto faz se durante o dia ou à noite, moderação é a palavra de ordem. Fazer todas as coreografias do Carnaval de Salvador à beira da piscina - sendo que você nunca dançou axé na vida - só vai provocar uma grande ressaca física e moral.
Som
Quando o passeio inclui as crianças, papai e mamãe precisam dedicar alguma atenção ao barulho que elas fazem. Sim, os navios têm monitores e áreas específicas para divertir os pequenos, mas brincadeiras ruidosas pelos corredores pode incomodar os outros viajantes. Falar baixo, aliás, é regra: cabines têm paredes finas e é bem provável que seu vizinho não tenha qualquer interesse na sua conversa.
Por falar no espaço reservado, não custa lembrar que um mínimo de ordem é muito bem-vindo. Pendure a toalha molhada e não deixe roupa pelo chão. As camareiras agradecem.
Respeitar horários é outra característica do passageiro bem-educado. O navio aportou, você desceu e adorou o lugar. Mas fique de olho na saída da embarcação. Não é gentil fazer os outros esperarem. Francisco Orlando lembra de um dos cruzeiros de que participou, que zarpou do porto com mais de meia hora de atraso porque um grupo, esquecido do horário, ficou na praia bebendo cerveja.
Falar alto e destratar funcionários também não melhora a imagem de ninguém. Seja para reclamar de um erro na conta, no fim da viagem, ou de um prato que chegou à mesa frio, mantenha a voz baixa e não se altere. E se quiser consolidar para sempre a sua fama de elegante, escolha aqueles funcionários de quem recebeu atenção especial - e dê a eles uma pequena gorjeta. Mesmo que a gratificação esteja incluída no preço do pacote, não custa reconhecer os esforços de quem fez tudo para agradar. (M.N./Agência Estado)

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