Janaína Mírig Prág Kuita, 30 anos, é diretora da Escola Estadual Indígena João Kavagtãn Vergílio - avó do cacique atual, que liderou por 38 anos a aldeia. Na escola, são atendidos atualmente 320 alunos, da educação infantil à 4 série. Ela conta que o currículo indígena é adaptado e que as crianças aprendem o português a partir da 3 série. Os indígenas que querem cursar a segunda etapa do ensino fundamental e o ensino médio normalmente estudam em Lerroville. Já o ensino superior, pelo sistema de cotas, de modo geral é feito em Londrina, na Universidade Estadual de Londrina, ou em Maringá, na Universidade Estadual de Maringá. Hoje há sete alunos indígenas estudando na UEL. ''É bem trabalhoso conseguirmos fazer o curso superior. Eu mesma tive que trancar o meu curso no segundo ano de pedagogia por causa da dificuldade de deslocamento e devido aos cuidados com os meus três filhos. Agora pretendo fazer o curso a distância'', comenta.
Ressaltando a importância da educação para uma melhor inserção do índio na sociedade moderna, Janaína fala da necessidade de um processo de mudança cultural entre eles para que haja a valorização do pensamento do bem-estar coletivo, superando a ideia comum de pensarem apenas na subsistência. Ela também observa que é fundamental a ocupação dos jovens para que eles não se envolvam com alcoolismo, assim como acontece com os jovens urbanos. ''Na nossa cultura valorizamos muito o conhecimento passado pelos mais velhos e procuramos resgatar isso nos nossos jovens. Aqui, desde os 12 anos, os adolescentes podem participar das eleições dos caciques, uma forma deles irem entendo um processo político'', destaca.
Como melhorias para a sua escola, que foi ampliada em 2007, ela pleiteia a instalação de computadores com internet e a construção de um ginásio. E, para esclarecer, informa que as ocas são típicas da etnia tupi-guarani; na cultura caingangue, antigamente, morava-se em casas feitas de sapé. (A.P.N.)

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