Educação em baixa, desafios à frente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Foram divulgados, há duas semanas, dados da pesquisa do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que mede o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de todos os países do mundo. Dentre os critérios que o IDH utiliza, estão indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). Dentre os anos de 1990 a 2017, período do estudo, o IDH do Brasil cresceu 24,3%, com taxa média anual de 0,81%. Essa melhora refletiu no aumento da expectativa de vida em 10,4 anos e de expectativa de anos de estudo em 3,2 anos.

Apesar disso, a nota do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgada no mês passado, mostrou que, pela terceira vez seguida, o País não conseguiu atingir as metas de qualidade fixadas pelo governo federal para as séries finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) e do ensino médio.
Para se ter uma ideia, dentre os aspectos, a nota referente ao ano de 2017 mostrou que é muito baixo o conhecimento em Língua Portuguesa pelos adolescentes prestes a prestar vestibular: apenas 1,62% dos estudantes da última série do ensino médio alcançaram níveis de aprendizagem classificados como adequados pelo MEC (Ministério da Educação). O percentual equivale a cerca de 20 mil estudantes do total de 1,4 milhão que fez a prova nessa etapa.
Em Matemática a situação não é muito diferente, somente 4,52% dos estudantes do ensino médio avaliados pelo Saeb 2017, cerca de 60 mil superaram o nível 7 da Escala de Proficiência da maior avaliação já realizada na educação básica brasileira. As evidências demonstram um ensino médio estagnado desde 2009 e que tem agregado muito pouco ao desenvolvimento cognitivo dos estudantes brasileiros.
Nessa linha, dados do "Todos pela Educação", movimento da sociedade civil, apontam que 41,5% dos jovens não concluem o ensino médio até os 19 anos de idade, ou seja, quase metade dos jovens do país não chegam nesse patamar. O porcentagem de jovens de 16 anos matriculados que concluíram o ensino fundamental, em 2015, foi 76%; a meta é chegar em 95% até 2024. Além disso, é grande o número da evasão escolar no país, isto é, aqueles que abandonam e não retornam mais aos estudos para a conclusão.
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DISTORÇÃO E EVASÃO
Os dados no estudo "Panorama da Distorção Idade-Série" no Brasil, divulgado no final de agosto pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), com base no Censo Escolar 2017, do Inep, mostrou que o Brasil tem mais de 35 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental e no ensino médio. Desses, quase sete milhões estão em situação de distorção "idade-série", com dois ou mais anos de atraso escolar, número que corresponde a cerca de 20%. O Paraná está entre os estados com as menores taxas de distorção, variando entre a segunda e a quarta colocações, conforme o nível de ensino.
O último levantamento do Censo também revelou que 12,9% e 12,7% dos alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, respectivamente, evadiram da escola entre os anos de 2014 e 2015. O 9º ano do ensino fundamental tem a terceira maior taxa de evasão, 7,7%, seguido pela 3ª série do ensino médio, com 6,8%. Considerando todas as séries do ensino médio, a evasão chega a 11,2% do total de alunos nessa etapa de ensino.
Os números referentes às distorções e evasão escolar só reforçam a importância do país em superar o desafio de adequar as políticas educacionais e, assim, atingir as metas do novo PNE (Plano Nacional de Educação) até 2010, ou seja, em menos de dois anos. Dentre as primeiras metas está "universalizar o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária."
De forma geral, a baixa qualidade do ensino nessa etapa prejudica a formação dos estudantes e, consequentemente, atrasa o desenvolvimento social e econômico do país, segundo entidades ligadas à educação. Para agravar a situação, relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), também divulgado recentemente, mostrou que 52% dos adultos brasileiros, com idade entre 25 e 64 anos, não têm diploma do ensino médio.

CORRIGINDO DISTORÇÕES
O estudo "Panorama da Distorção Idade-Série" no Brasil possibilita a consulta por município e revela que, em Londrina, 16,8% dos estudantes matriculados nas redes municipal e estadual apresentam atraso escolar de pelo menos dois anos. São 11.120 alunos nessa condição. Para tentar diminuir os índices, há mais de uma década, a Seed (Secretaria Estadual de Educação) do Paraná desenvolve o PAE (Programa de Aceleração de Estudos), que tem como objetivo corrigir o fluxo escolar. O programa é direcionado apenas a alunos do ensino fundamental, a partir do sexto ano com, no máximo, dois anos de atraso escolar.
Este ano, como forma de minimizar ainda mais os impactos da evasão, o Paraná conta ainda com outras ações para corrigir as distorções, como a recente lançada Serp (Sistema Estadual de Rede de Proteção), que consiste na busca ativa dos alunos matriculados com faltas frequentes ou que param de frequentar a escola. Com cinco faltas consecutivas ou sete alternadas, a família é acionada para evitar o abandono. A partir do ano que vem, a Seed pretende interligar o RCO (Registro de Classe Online) à rede de proteção, permitindo mais agilidade na busca ativa. Em 2018, 60% das crianças e jovens que estavam se afastando da escola retornaram em razão dessa busca.


