EDUCAÇÃO E CULTURA - Folha Cidadania amplia as portas da leitura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de fevereiro de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Assunto de criança é diferente do mundo de gente grande, já que a imaginação dos pequenos é capaz de transformar o faz-de-conta em verdade e a realidade numa brincadeira gostosa.
Brincando então de juntar as letras, através da leitura de jornais, que 8.507 estudantes da quarta à oitava série do Ensino Fundamental de 120 escolas da região de Londrina, poderão mergulhar na realidade cotidiana do universo da informação.
Embora não seja povoada de fadas, príncipes e princesas dos contos infantis, essa aventura, com os pés bem firmes no mundo das notícias e reportagens, também terá seus heróis e vilões que, aos poucos, ensinarão a garotada conceitos e valores sociais e humanos importantes.
A estação que as crianças embarcarão para essa viagem é a Folha Cidadania, que está entrando numa nova fase em 2006.
O lançamento do novo layout do projeto ontem pela manhã e à tarde, no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente Salomão Jorge Hauly (CAIC), Conjunto Morumbi, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), durante a Semana Pedagógica promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Cambé, contou com o superintendente da Folha de Londrina, José Eduardo de Andrade Vieira, o chefe de Redação, Oswaldo Petrin, a coordenadora editorial da Folha Cidadania, Célia Musilli, e a coordenadora geral do projeto, Luciana Costa Fontes, que fizeram uma rodada de palestras aos professores sobre a Folha Cidadania.
Há 12 anos, o projeto vem colocando nos trilhos do conhecimento, através da leitura de jornais, não só os estudantes, mas também professores, que em sala de aula tomam assento nessa peregrinação ao universo sem fim do saber.
Cinquenta jornais no Brasil aderiram aos programas de Educação incentivados pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) do qual faz parte a Folha Cidadania.
É uma forma de encurtar o caminho das pedras, que termina no abismo onde o Brasil está pendurado em 72º lugar no ranking dos países com maior índice de analfabetismo funcional, segundo relatório sobre Educação no mundo, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para Educação, Ciência e Cultura da Unesco.
Já o Indicador de Analfabetismo Funcional de 2003, aponta que apenas 25% da população brasileira têm capacidade de leitura e consegue comparar informações contidas em diferentes textos e relacioná-las ao cotidiano.
Um alento para essa tragédia é dado pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Realizada em 2001 pela Câmara Brasileira da Indústria do Livro (CBC), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), o levantamento chegou à conclusão que os índices de leitura por faixa de idade crescem enquanto os jovens estão na escola.
Reformulado para ganhar mais força nessa batalha, o projeto socioeducativo Folha Cidadania pretende atingir esse calcanhar de Aquiles da educação brasileira ao envolver alunos londrinenses e das redes municipais de ensino de Cambé, Rolândia (25 quilômetros a oeste de Londrina) e Jataizinho (21 quilômetro a leste de Londrina).
Em duas páginas coloridas, a nova Folha Cidadania chegará às mãos de estudantes e professores toda terça-feira, ao invés das quartas-feiras, como anteriormente.
Ao abrir o jornal, o pequeno leitor verá saltar das páginas mais interatividade. A garotada poderá pôr a boca no trombone, falando o que pensa sobre qualquer assunto.
O incentivo à leitura não vem de uma tacada só, mas também através da coluna Leiturinha, que trará resenhas de livros infantis assinadas pelo jornalista Marcos Losnak.
''A Folha Cidadania ainda traz reportagens baseadas em pautas que eles (estudantes e professores) sugerem e que são voltadas para as atividades escolares. A cidadania entra através dos vários temas que apresentamos, como meio ambiente, arte, ciência e outros que estimulam o conhecimento e a formulação de novos conceitos'', ressaltou a editora Célia Musilli.
O superintendente da Folha de Londrina, José Eduardo de Andrade Vieira, destacou a importância do projeto para o incentivo à leitura.
''O objetivo é despertar o interesse da leitura nas pessoas. Fala-se tanto em Educação. Vivemos na Era do Conhecimento e o povo não adquire conhecimento porque não lê. O conhecimento que se adquire na escola é uma preparação para conhecimentos mais amplos para a vida do cidadão e o exercício profissional'', avaliou Vieira.
O contato com jornais em sala de aula desperta nos estudantes a consciência crítica ao fazer com que saiam da rotina escolar pela porta da leitura.
''A gente sempre procura dar uma conotação de serviço até nas matérias do cotidiano. Não é esse o objetivo da Folha Cidadania, que é despertar a leitura crítica, tendo uma característica mais forte de cultura. Porém, faz com que as crianças encarem o jornal como uma coisa útil, o que puxa por extensão para outros meios de comunicação, que não a mídia eletrônica e a internet, mas para os livros'', comentou o chefe de Redação, Oswaldo Petrin.
Uma receita que para dar certo conta com 50% dos custos subsidiados pela Folha de Londrina e outros 50% pela iniciativa privada ou prefeituras municipais.
''A idéia é conseguir novos patrocínios para que possamos ampliar o projeto. Para ter uma idéia do ganho social, a gente tem testemunhos de pais de alunos que conseguiram emprego porque os filhos levaram os classificados do jornal para casa'', destacou a coordenadora geral da Folha Cidadania, Luciana Costa Fontes.
Receita de valorização da cidadania, que poderá ser reconhecida por premiações da matéria publicadas, inscritas no Prêmio IGE de Jornalismo, promovido pela Fundação Lemann, coordenado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e pelo Instituto Gestão Educacional (IGE), entre as quais a reportagem ''Escola pública dá lição de qualidade'', produzida pela repórter Ana Paula Nascimento.
Para quem ensina as letras aos pequenos, os professores, a melhor notícia será dada no futuro, quando começarem a colher os frutos do projeto.
''Acho a Folha Cidadania interessante porque temos sempre assuntos corriqueiros para discutir com as crianças e que estão na mídia. Os alunos acabam se interessando pelo que acontece no mundo porque estão vendo no jornal'', afirmou Maria José Aparecida Gonçalves, professora da Escola Municipal Santa Isabel, do Jardim Santa Isabel, em Cambé.


