Foi um dia especial. Assim as crianças definiram a visita que fizeram ao Projeto Jabuti na semana passada. Em parceria com a FOLHA, alunos do terceiro ano e da quarta série da Escola Municipal Maria Irene Vicentini Theodoro, de Londrina, puderam conhecer o empreendimento montado em um fazenda localizada a 12 quilômetros da área central de Londrina, na Rodovia Luiz Beraldi (também conhecida como Estrada da Cegonha), que há dois anos alia o lazer com o conhecimento ecológico. No mês anterior, foi a vez dos alunos da Escola Municipal Isaura Ferreira Neves, de Cambé, participarem do evento.
Logo na entrada, os alunos são recepcionados por um divertido grupo de animadores formado por estagiários dos cursos de artes cênicas, geografia, biologia, educação física e pedagogia, além dos trabalhadores rurais locais - o Dr. Terra e a Tia Berinjela.
Para ''quebrar o gelo inicial'', todos participam de uma série de brincadeiras de mágica e adivinhação. Com olhinhos atentos, as crianças não perdem nenhum lance e as gargalhadas são inevitáveis. No final, mais relaxados e dispostos, os participantes se preparam para uma aventura na natureza local, que aliás é exuberante. Antes de sair 'rumo ao desconhecido' - para muitas das crianças -, fantoches orientam sobre como se portar perante os animais e as plantas.
Na primeira parte do passeio, um encontro com a Vaca Milk Shake, o Boi Juvenal e o seu filhote Toddynho encantam as crianças. Pela primeira vez elas têm a oportunidade de fazer a ordenha manual da vaca e sentir espirrar no rosto as gotinhas do leite que estão acostumados a ver embalado em caixas ou saquinhos. O filhote Toddynho é manso e parece gostar muito quando a sua pelagem de cor caramelo é delicadamente escovada pela turminha.
Mas os animais estão à solta, para o deleite do público curioso: tem o grande carneiro que pode até ser montado para foto e os saltitantes cabritinhos que, acompanhados pela mãe, fazem algazarra para mamar.
Na próxima etapa, os alunos são convidados a se sentar para ouvir as explicações que envolvem o reino animal, como os ruminantes e os animais vertebrados e invertebrados. Ficam admirados ao aprender que uma galinha produz um ovo a cada dia e que a pele do pescoço do peru muda de cor quando ele está se sentindo ameaçado. O Dr. Terra também demonstrou que o papo do peru, que é cheio de ar, ao ser pressionado emite um som bem parecido com um arroto humano, fazendo as crianças caírem na gargalhada.
Sob a orientação dos monitores, eles também puderam tocar em um pintinho, uma codorna e até no sapo cururu (o ''Príncipe Encantado'', como diz a Tia Berinjela). O sapo sempre causa um alvoroço e, superada a repulsa inicial, as crianças se divertem com o contato da pele fria do anfíbio que virou até tema de cantiga de roda...''Sapo Cururu, na beira do rio...Quando o sapo grita ó maninha, é que está com frio....''
Caminhando animados, os alunos chegam ao Laboratório de Aquicultura, responsável pelo crescimento e desenvolvimento dos peixes que são criados no local, como as iscas vivas de lambari para pesca comercial. ''Somos uma fazenda produtiva, trabalhamos com produção orgânica e revertemos o dinheiro obtido para o projeto de educação ambiental'', explica Ana Paula Godoy, coordenadora do Projeto Jabuti. ''A nossa intenção é conseguirmos nos estabelecer como um resort infantil, mas sempre com uma proposta pedagógica voltada para a questão ambiental'', acrescenta.
No local, eles são informados sobre a reprodução assistida de peixes, que chega a 1 milhão de lambaris espalhados pelas represas da fazenda. Nos aquários expostos, as crianças se vislumbram com exemplares de cascudos, pacus, tilápia, truvira e carpas. Após uma brincadeira sobre curiosidades envolvendo o universo da psicultura, chega a hora da ''Pescaria Maluca''. Nessa atividade, cada criança ganha uma concha de plástico para tentar pescar lambaris em um pequeno tanque. Dentro do conceito de ''pesca de aventura'', ao capturar o peixinho a regra é devolvê-lo imediatamente à água.
Após uma pausa para um lanche - com suco de fruta, cachorro-quente assado, pipoca e bombom - servido pelos monitores, a turma segue em direção à trilha no meio da mata. Passando pelas plantações de milho, feijão, arroz, morango e cebola, escutam o Dr. Terra explicar sobre o manejo do solo, a utilização de adubo orgânico e a importância de respeitar os ciclos da natureza.
Na trilha, a chance de ver diferentes espécies de árvores catalogadas - como cedro, canela, goiabeira-brava, aroeira-brava, angico (cuja madeira é utilizada para fazer tapumes para construções) e guatambu (utilizada em cabos de enxada e bengalas). Em seguida, passam pela estufa onde são cultivados verduras e legumes, acabando no minhocário - onde se divertem na caça às minhocas. Depois de lavarem as mãos, se deliciam com o caldo de cana moído na hora pelo gentil Dr. Terra.
Na Estação da Pedra Lascada, realizada em parceria com o Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), os alunos puderam simular a descoberta de réplicas de fósseis reais em um tanque de areia. Com óculos de proteção e usando pincéis, eles se admiraram com as réplicas do tigre de dente de sabre (que é de origem brasileira e chegava a três metros de altura), do morcego, do tubarão gigante e da cabeça de um dinossauro.
No final, uma aventura inusitada: assistir à corrida de jabutis, com direito à torcida organizada para os jabutis Pepe e Charmosa (que foi a vencedora), já que o jabuti Tubinho, já de idade avançada, anda devagar...
As professoras Cristiane Santana e Maria Solange Aparecida Gomes aprovam a iniciativa e ressaltam que a participação dos alunos nesse tipo de evento ajuda a ''ampliar o conhecimento de mundo''. ''Além disso, eles podem experimentar uma sensação maravilhosa de liberdade nesse contato com a natureza, sendo que muito do conteúdo visto aqui está sendo trabalhado em sala, aliando a teoria à prática'', salietam.
Mais informações pelo e-mail [email protected] ou pelo tel. (43) 3327-8898.


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EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Um passeio cheio de aventuras
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