EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Transformando bitucas de cigarro em papel
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segunda-feira, 04 de outubro de 2010
Ana Paula Nascimento<BR>Reportagem Local 
Longe de fazer patrulha social contra o tabagismo, o projeto ''Não faça da Terra seu cinzeiro'' busca conscientizar os fumantes da importância de se jogar a bituca no local adequado e até da possibilidade de transformá-la em papel reutilizável. Coordenados pelo professor de Química Junio Cesar da Silva, os seis alunos do segundo ano do Ensino Médio que integram o projeto de iniciação científica do Colégio PGD estão motivados com o trabalho.
O professor conta que foi a partir de leituras em jornais sobre as leis que proíbem o ato de fumar em locais fechados que surgiu a ideia de pesquisar sobre o destino correto das bitucas de cigarro - normalmente jogadas no chão. ''Elas acabam indo para os bueiros, que não são rede de esgoto. O destino final são os rios, levando para lá todas as substâncias tóxicas e cancerígenas presentes no filtro do cigarro'', ressalta o professor. E a quantidade descartada é considerável para uma cidade do porte de Londrina: 300 mil bitucas por dia, segundo a ONG Ecometrópole.
O estudo científico - com molde universitário - incluiu a criação de protótipos de porta-bitucas adaptados em lixeiras de aço inox, garrafa térmica e até garrafas pet não expandidas, para versões individuais. ''O importante é que o orifício de abertura feche rapidamente para limitar a entrada de oxigênio, fazendo com que o cigarro deixe logo de queimar'', explica Silva.
No laboratório, já munidos de máscaras e luvas, os alunos pesquisaram formas de reaproveitar as bitucas. Inicialmente o objetivo foi quebrar as fibras de acetato de celulose prensada. De molho em solução aquosa por algumas horas, as bitucas liberam suas substâncias tóxicas solúveis e insolúveis, lembrando uma água barrenta. Água essa que depois passa por um filtro confeccionado por eles para que que possa voltar menos poluente ao ciclo do processo.
A massa resultante das bitucas é, posteriormente, deixada em solução de soda cáustica para que o restante das substâncias químicas sejam eliminadas e as fibras do cigarro, expandidas. A massa é batida no liquidificador e lavada, para depois ser cozida com soda cáustica e água oxigenada. Em seguida, é necessário batê-la novamente e acrescentar o latéx. O último passo é moldar a massa de poliacetato de celulose em processo artesanal com telas.
Por meio desse processo, 2.500 bitucas podem resultar em 1 quilo de papel, que surpreende pela textura macia e firmeza. Criativos, os alunos aproveitaram o papel de bitucas para fazer jogos pedagógicos, mousepad e suportes para copos. Papel de bandeja com uma divertida história em quadrinhos sobre consciência ecológica e cartazes fazem parte do material de divulgação do projeto, que, com patrocínio, poderão ser distribuídos em estabelecimentos comerciais.
Apesar de todo o detalhamento do projeto, a intensão do trabalho não é industrial, mas comprovar que a ideia é viável. Agora os alunos estão finalizando a monografia que irão apresentar em breve nas feiras científicas da Unopar e da USP. O resultado da pesquisa também será divulgado na rede municipal de ensino.
Além disso, no último dia 21, eles foram até a Câmara de Vereadores para apresentar aos representantes municipais a pesquisa, que pode incentivar a criação de um projeto de lei. ''A pretensão é tornar o fumante mais consciente sobre o lixo que está gerando'', afirma Silva.


