Apesar do sentimento de dever cumprido fazer essa turminha estufar o peito, com cara de pequenos heróis, ela sabe que não é preciso usar capa e ter superpoderes para ajudar a salvar o planeta. Contra os vilões do meio ambiente, os defensores da natureza têm uma arma infalível: a conscientização.
''Para colaborar com a preservação do meio ambiente, a gente pode fazer compostagem, que é uma maneira de fazer adubo natural e não deixar lixo orgânico na natureza'', aconselha o estudante Rafael de Souza Maxiliano, 10 anos, aluno da quarta série do ensino fundamental da Escola Municipal Parigot de Souza, de Rolândia, demonstrando que já está afiado com os objetivos do projeto de ''Educação Ambiental Compostão'', desenvolvido na instituição de ensino.
Como personagens de uma história que pode representar mais qualidade de vida, quinzenalmente um grupo de 31 estudantes da escola vive uma nova aventura ao deixar a sala de aula para participar das atividades ambientais numa propriedade rural de Rolândia, onde desvenda os segredos da compostagem - um processo alternativo de tratamento de resíduos orgânicos.
Cada dia na fazenda representa uma missão diferente em que os estudantes, funcionários da escola e alguns pais de alunos, que acompanham as crianças, fazem uma nova descoberta.
''Cada semana, a turma tem uma surpresa, enfrentando novos desafios. As conversas e atividades são desdobradas em outras discussões, que podem envolver, por exemplo, o uso racional de água potável'', ressalta a professora Regiane Muller Freiberger, coordenadora do projeto.
Na fazenda e em sala de aula, aos poucos, a turma descobriu que o processo de compostagem não tem mistério algum, mas é preciso vencer desafios como onde armazenar os resíduos orgânicos para evitar que o mal cheiro atraia ratos, moscas e outros insetos.
Encontrar soluções para problemas como esse ajuda a garotada transpor outros desafios.
Outro saldo importante do projeto é que os alunos aprendem de uma maneira divertida, abrindo caminho para a educação ambiental, mas também a outras disciplinas, como a Matemática, Português e História.
Enquanto conhecem as diferentes maneiras de compostagem, através da observação do trabalho na fazenda, os alunos aprendem como fazer o uso correto do solo e de agrotóxicos, a evitar a poluição dos rios e do ar e como promover o desenvolvimento sustentável.
''Depois das atividades na propriedade rural, a gente leva as discussões para a sala de aula, explicando temas como a importância das matas ciliares. Num dia de visita à propriedade as crianças aproveitaram para soltar pipa. Com a brincadeira pudemos ensinar sobre os ventos, dar noções de Matemática, através da confecção do brinquedo, que ajudou a gente a explicar sobre medidas, retas e simetria'', explica Regiane.
Para as crianças, a atividade no campo tem gosto de passeio. Porém, um dos destinos desse roteiro, é a cidadania.
Além de conhecer que as alternativas de tratamento de lixo orgânico são soluções para muitos problemas ambientais, a turma aprende a se organizar e a importância do trabalho em equipe.
''O grupo está aprendendo a admistrar conflitos, o que são regras de convivência, respeito humano, entre outras coisas'', comenta a professora, acrescentando que os alunos aprendem também noções de ética e religião em pequenas ações durante o passeio, como a divisão do lanche com colega.
De volta à sala de aula, a missão dos estudantes com o desenvolvimento do projeto será ainda maior.
A intenção é, no futuro, realizar a compostagem na própria escola, retomando um projeto antigo de seleção do lixo orgânico, que antes era apenas enterrado e reaproveitado como adubo na horta da instituição de ensino.
Com as novas técnicas de compostagem aprendidas na fazenda, a garotada terá que envolver a comunidade escolar, multiplicando o conhecimento.
''Os próprios alunos já começam a apresentar soluções de como vamos fazer a compostagem na escola. Na fazenda, o composto é produzido com a ajuda de um capim. Na escola não temos capim, mas as crianças disseram que a gente pode aproveitar as folhas, que são varridas pelos nossos funcionários'', conclui Regiane.

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