Buscar meios mais sustentáveis de se obter energia é um desafio para a humanidade, e no Projeto Jabuti esse assunto ''de gente grande'' consegue ser vivenciado de forma lúdica pelas crianças. Na semana passada, um grupo de 30 alunos do quinto ano da Escola Municipal Professora Lourdes Gobi Rodrigues, de Cambé, participou do módulo de passeio ''Mergulhando no Planeta Terra''. Aproveitando que 2012 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Energia Sustentável, o projeto realiza uma série de atividades recreativas e pedagógicas dentro dessa temática. Hoje, aliás, é o Dia Mundial da Energia.
Logo no início, os alunos foram recepcionados por um grupo animado de monitores que através de brincadeiras apresentaram o tema que seria trabalhado durante três horas de atividades. Numa espécie de mini gincana, os alunos foram convidados a estarem atentos a tudo que iria acontecer na fazenda, localizada a 12 quilômetros da área central de Londrina, e que tem como proposta ser um empreendimento que alia o lazer e o conhecimento.
Falar de conceitos ecológicos para crianças não é tão simples quanto parece, e no Projeto Jabuti a diversão aliada a uma série de atividades pedagógicas bem direcionadas acabam por tornar essa aprendizagem de fácil assimilação. Ao trazer para o concreto muitos dos conteúdos que são vistos de forma teórica na sala de aula, os alunos vivenciam na prática o que antes estava apenas na teoria. ''O nosso objetivo é sermos parceiros da escola e sempre conversamos previamente com os professores para elaborarmos um programa bem direcionado e com uma linguagem diferenciada'', explicou a coordenadora comercial Adriana Kirche.
Dentre as ações, na ''Cabeça do Jabuti'' - local que lembra uma oca indígena - os alunos participaram de uma roda da conversa sobre as fontes não renováveis, à base de petróleo, por exemplo, e renováveis de energia, como a solar e a eólica. Desde o banho quente até a manutenção dos computadores, a importância da energia foi sendo apresentada, assim com a necessidade de se pensar no futuro com relação às fontes energéticas.
Num clima descontraído, as crianças foram fazendo espontaneamente as suas observações sobre os temas levantados, que demonstram os prós e contras de cada fonte energética. Tudo foi exemplificado com painéis didáticos e objetos relacionados ao assunto. A biomassa também foi destaque como fonte de energia renovável, já que é possível obter o biodiesel (feito de mamona, girassol ou soja), o bioetanol (feito de bagaço de cana, beterraba ou milho) e o biogás (a partir da fermentação do gás metano).
Após a explanação, os alunos participaram de algumas brincadeiras. Divididos em grupos, eles observaram alguns mini brinquedos japoneses - como um carrinho e um besouro que se movimentam a partir da energia solar, já que possuem uma placa que capta esse tipo de energia. Eles também se divertiram com a brincadeira de estender roupa no varal no menor tempo possível: uma forma de lembrarem que a energia eólica faz parte do nosso dia a dia.
Os alunos também puderam conhecer o sistema de funcionamento de uma mini usina hidrelétrica, que na propriedade rural aproveita a água represada de um lago utilizado para produção de peixes. Quanto maior a vasão de água, mais energia se produz. O impacto ambiental na construção de uma usina hidrelétrica foi um dos aspectos abordados.
Eles também puderam conhecer uma turbina eólica e participaram da brincadeira da ''Pipa Maluca''. Tendo ao redor uma natureza exuberante, tiveram que aprender a aproveitar o sentido do vento para tentar ganhar a competição.
Na estufa, os alunos puderam visualizar o quanto a água é importante para a irrigação dos alimentos que consumimos. Os monitores também pontuaram que tudo utilizado no solo escoa para uma fonte de água, que no caso é o Rio Três Bocas, que faz divisa com a propriedade.
Já no laboratório de reprodução de peixes, explicações sobre o quanto a qualidade da água está diretamente ligada à qualidade do peixe que se consome. Brincadeiras de pesca de aventura (onde se devolve o peixe) com a utilização de conchas plásticas e pescaria com peixinhos de plástico integraram as atividades, que o tempo todo eram permeadas por explicações sobre curiosidades da área de piscicultura. No final do passeio, a contagem dos pontos apontou o grupo vencedor, sendo que na verdade todos saíram ganhando no quesito conhecimento.
''Ficamos encantados com o que vimos e aprendemos, e os alunos estavam muito ansiosos pelo passeio. O interessante é que o Jabuti vem ao encontro do projeto Ecocidadão, que a Secretaria de Educação de Cambé desenvolve, focado na integração do homem com a natureza'', afirmou a professora Ana Claudia Kikumoto. ''Aqui eles conseguem concretizar uma série de conceitos que procuramos trabalhar em sala de aula e isso é uma complementação importante que eles desenvolvem muito bem e conforme a faixa etária do aluno'', complementa.
A visita faz parte de uma série de ações de integração do Projeto FOLHA Cidadania, que mantém parceria com o Projeto Jabuti desde o ano passado. Em abril, alunos da Escola Maria Cândida Peixoto Sales, de Londrina, visitaram o local; mais cinco visitas serão agendadas até o final do ano. Mais informações pelo site www.jabutilazereconhecimento.com.br ou pelo tel. (43) 3327-8898.

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