EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Música para preservar a natureza
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de maio de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
''Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo...''. Inspirados por ''Aquarela'' uma das músicas mais bem-sucedidas dos compositores Toquinho e Vinícius de Moraes (1913 1980), 98 crianças da 0 a 6 anos do Centro de Educação Infantil José Sestário, em Cambé, participaram de uma série de atividades interdisciplinares com o objetivo de trabalhar a preservação do ecossistema de janeiro até este mês.
O trabalho começou com atividades de poesia e musicalização, onde as crianças foram apresentadas ao repertório do ''Poetinha'', nome com o qual carinhosamente Vinícius acabou sendo conhecido. ''As letras do Vinícius estimulam a imaginação das crianças'', comentou a professora de educação infantil Tatiane Souza, responsável pelo projeto. ''Quando trabalhamos a música 'A Casa', ficaram intrigados com essa casa que não tinha teto, não tinha chão e não tinha nada. Uma das crianças chegou desenhar um buraco no chão, imaginando que a casa fosse lá dentro'', acrescentou Tatiane.
Com as crianças de 5 a 6 anos, cada verso da música foi sendo destrinchado. Em cada frase, um universo foi sendo descoberto e novos motivos para trabalhar a importância do meio ambiente. O sol, a lua, as mudanças climáticas, o globo terrestre que virou tema para uma pesquisa sobre a força da gravidade foram alguns dos elementos que a partir da música ''Aquarela'' foram sendo trabalhados. Para os bebês, figuras com motivos relacionado à musica serviram como base de estimulação visual.
''Esses conceitos são trabalhados para que as crianças realmente aprendam vivenciando-os. Isso vai marcar o futuro deles. Os centros de educação, que antes eram chamados de creches, não podem ser apenas o local onde as crianças passam o tempo integral enquanto os pais trabalham. Não só 'cuidamos' delas, somos responsáveis pelo seu aprendizado. Aqui elas aprendem e cobram dos pais a mesma coisa'', afirmou a professora. A ampliação do vocabulário também foi outro ganho dos alunos percebido no decorrer do projeto, além de aprenderem que o primeiro nome do Poetinha era Marcus e que ele chegou a morar em Londres, na Inglaterra.
Dentro dos conceitos de ecologia trabalhados, não desperdiçar água lavando a calçada, fechar a torneira na hora de escovar os dentes e separar o lixo reciclável são algumas da lições que estão na ponta das língua das crianças, que não se intimidam em repassar para os pais os novos conhecimentos.
Em uma das atividades sobre a água, as crianças chegaram a dizer que se ela acabasse, poderiam tomar Coca-Cola. Ao pesquisarem sobre a fabricação do refrigerante, viram que na sua composição também havia água e que, então, poderiam tomar leite, no caso de excassez dos recursos hídricos. Novamente, acabaram descobrindo que a água também é fundamental para o crescimento do capim, alimento para que as vacas produzam leite. ''No final, eles chegaram a ficar preocupados ao concluírem que tudo está relacionado à água e viram que o único caminho é a preservação ambiental'', disse Tatiane.
Nos desenhos que produziram, ficaram evidentes algumas das iniciativas que defendem para preservar os mananciais como não provocar queimadas e não jogar lixo nos rios. Esse registro visual ficou gravado em livrinhos em formato de palheta de aquarela que exibem com orgulho.
Questões relacionadas à afetividade também integraram o projeto. ''Na Roda da Conversa'', cada dia um aluno escolhe o tema de que quer falar. Boas maneiras, alegrias e tristezas, respeito e agressividade são alguns dos tópicos escritos nas pequenas chaves de papelão que são escolhidas pelos alunos para serem debatidas. ''Também enfatizamos a importância da participação dos pais nas atividades dos filhos. A educação é um trabalho que precisa ser feito em conjunto para dar certo'', destacou a diretora Maristela Renisz dos Santos.
Há dois anos a instituição está vinculada a um projeto de reciclagem de lixo que abrange mais 11 centros de educação infantil. O material recolhido nas escolas junto aos alunos são vendidos para uma cooperativa. O dinheiro arrecadado é investido na compra de materiais especiais, como papel laminado, jogos pedagógicos e organização de festividades escolares. No caso do Sestário, há um ranking dos alunos que mais trouxeram lixo reciclável, com distribuição mensal de brinquedos. Em meses de alto índice de participação, todos ganham os brindes.
Em Cambé, cerca de 1.500 crianças, de 0 a 6 anos, são atendidas pelos centros de educação infantil, que são administrados pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI). No ano passado, o trabalho desenvolvido por essa associação filantrôpica, mantida com recursos municipais e doações privadas, foi apresentado na China em evento internacional relacionada à area de educação infantil.


