EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Como transformar o lixo em alimento
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O lixo que produzimos está diretamente relacionado com o que comemos. Inicialmente isso pode parecer um pouco estranho, mas um projeto realizado pela Escola Municipal Irmã Ilda Soares, de Cambé, tem como objetivo desmistificar esse conceito, trazer benefícios à natureza e à saúde dos alunos. Uma alimentação saudável é rica em alimentos orgânicos, que gera resíduos que podem ser decompostos de forma rápida e não poluente. Dentro dessa idéia, o projeto foi batizado de ''Alimentação saudável na escola: sinônimo de saúde''.
Na segunda-feira da semana passada dezenas de professoras de outras instituições de ensino, além de um grupo de alunos do Ensino Fundamental da própria escola, participaram de uma palestra com o agrônomo Efraim Rodrigues sobre compostagem de resíduos orgânicos. A escola já faz a coleta seletiva. De forma bastante didática, ele ilustrou o quanto podemos reduzir de forma simples a quantidade de lixo orgânico que produzimos. Ele coordena junto com a pedagoga Heloísa Micheletti, de São Paulo, o projeto ''Ligados na pilha'', que já conseguiu implantar composteiras em cerca de 40 escolas do Paraná, São Paulo e Brasília.
Na escola de Cambé, a composteira foi instalada na horta da instituição. Construída com materiais simples e baratos, como madeira, estrado e tela de nylon, a composteira fica suspensa sobre o solo para favorecer a secagem dos resíduos orgânicos. E vale quase tudo: cascas de frutas e vegetais, restos de comida; mas, chicletes, por exemplo, ficam de fora. ''Chiclete é um produto sintético, plástico com açúcar, que não consiste em um material orgânico facilmente degradável'', informou Rodrigues, respondendo à dúvida de uma das professoras.
Após a colocação dos resíduos orgânicos na composteira, estes devem ser misturados à palha seca e revirados pelo menos uma vez por semana. Esse procedimento evita o mau cheiro e, consequentemente, moscas e outros insetos. Despojado, Rodrigues literalmente ''põe a mão na massa'' e intriga as crianças ao revirar com as próprias mãos os restos de alimentos trazidos por elas e as professoras. ''É claro que não vou colocar a mão na boca depois disso, mas precisamos refletir por que sentimos nojo do alimento que comemos após eles serem descartados na lata de lixo. Na composteira, aquele líquido malcheiroso nas nossas lixeiras residenciais não ocorrerá, pois há ventilação suficiente e um equilíbrio físico, principalmente do nível de água, para decompor os resíduos orgânicos'', complementou.
Após aproximadamente um mês o resultado dessa mistura será um rico composto orgânico que vai ser utilizado como fertilizante na horta da escola. ''As crianças vão poder acompanhar todo o processo. Desde o momento em que se alimentam vão separar as sobras orgânicas que serão destinadas à composteira e também vão poder trazer restos de alimentos de casa para serem reciclados na escola. E depois do composto pronto vão participar diretamente do plantio de verduras e legumes na horta'', explicou a orientadora pedagógica Maria do Carmo de Souza Azevedo.
Cenoura, alface, couve, tomate, cebolinha, repolho e até flores serão plantados na horta. ''E é um ótimo estímulo para as crianças saberem que tudo que plantarem será consumido na merenda da escola'', ressaltou Maria do Carmo, acrescentando que uma nutricionista também integra o projeto.
Rosangela da Silva Ferreira, uma das responsáveis pelo Projeto Piá - que oferece no contraturno oficinas aos estudantes municipais de 6 a 13 anos -, mantido pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), de Cambé, saiu entusiasmada com o que viu. ''Não sabíamos o que fazer com o lixo orgânico e o que vimos é bem possível de se colocar em prática. E também é um motivo a mais para revitalizarmos a nossa horta. A idéia é ótima e temos que propagá-la'', comentou.
Em Londrina, o Colégio Aplicação, unidade do campus da Universidade Estadual de Londrina que atende cerca de 260 alunos de 1 à 4 série do Ensino Fundamental, desde agosto do ano passado mantém uma composteira na sua horta. Restos da merenda e alimentos trazidos pelos alunos têm o destino certo e o composto também é utilizado na horta. ''As crianças se divertem quando vão colocar o lixo orgânico na composteira e por uma questão de organização temos luvas específicas para elas usarem. A conscientização sobre o lixo é trabalhada no dia-a-dia dos alunos e também realizamos mutirões de limpeza nas imediações da escola'', acrescentou a professora e pedagoga Daiane Melissa Flores Bibiano Pires.


