Aprender uma língua estrangeira não é tarefa fácil, mas compreender e escrever corretamente o idioma pátrio também não fica atrás, ainda mais quando se trata da Língua Portuguesa - língua complexa, com muitas regras e também exceções.
Para driblar esse desafio, algumas escolas da cidade vêm recorrendo a recursos aparentemente simples, mas que na prática estimulam os alunos a estudar mais o português, entender as regras e ler mais. O sonho de qualquer professor.
Uma dessas ferramentas é a soletração, que de forma lúdica acaba cumprindo funções pedagógicas. O incentivo veio com o Concurso Nacional de Soletração do Caldeirão do Huck, que começou em 2007. Concorrendo a uma bolsa de estudos no valor de R$ 100 mil, milhares de crianças do ensino fundamental de escolas públicas brasileiras participaram da competição que ganhou visibilidade na mídia e nas instituições escolares.
''Assim como a soletração, o ditado também era um recurso de ensino usado na pedagogia mais tradicional que com a visão mais moderna foi desvalorizado. Mas, atualmente, consideramos que as duas coisas podem ser bem utilizadas, desde que contextualizadas e bem trabalhadas pelo professor'', afirmou a coordenadora da Escola Municipal Santos Dumont, de Cambé, Sônia Maria Pedroso.
Um bom exemplo dessa realidade aconteceu na sua escola. Em junho, durante a aula de Artes, a professora Denise Rodrigues Pires realizou uma brincadeira com soletração com um grupo de alunos. Eles gostaram tanto da atividade que as outras turmas também quiseram participar e uma iniciativa isolada acabou se tornando um projeto interdisciplinar que envolveu a escola toda.
Durante o segundo semestre foram realizadas diversas competitivas entre turmas, resultando em cinco finalistas das 3 e 4 séries do ensino fundamental. Os professores também ser organizaram para comprar prêmios para os alunos, incluindo um aparelho de MP4 para o primeiro lugar, além de livros, jogos, kits escolares e roupas.
Na última sexta-feira, os finalistas estavam nervosos para participar da final. Com uma platéia não menos ansiosa, os cinco finalistas passaram pela prova de fogo final. Na primeira rodada de soletração, todos os participantes cometeram erros, provavelmente causados pelo nervosismo. Já nas rodadas seguintes, gradativamente a classificação foi se definindo. A torcida estava entusiasmada e também tinha que se controlar para não ''soprar'' as palavras para os concorrentes, que poderiam ser desclassificados caso isso acontecesse.
Para a final, os alunos tiveram como material de apoio uma apostila de poesias de autores consagrados para estudar, sendo que desse material foram sorteadas as palavras para a final. Nas competitivas anteriores, os alunos estudaram materiais sobre meio ambiente e prevenção de acidentes.
''Eles ficaram muito estimulados a fazer pesquisas, consultar dicionários e um dado muito positivo é que a produção de textos deles melhorou muito'', comentou a professora Elisandra Ventura de Andrade.
Já a professora Sílvia Sonoda ressaltou que a soletração tomada em dupla entre os alunos foi uma forma lúdica de aprenderem o conteúdo. ''Eles gostaram muito e também treinávamos a soletração com o aluno diante da turma para ir trabalhando o nervosismo'', acrescentou.
A campeã Franciele dos Santos Azevedo, 10 anos, contou que além de soletrar na escola com os colegas, teve o apoio dos pais para estudar as palavras mais difíceis. ''Eu não gostava muito de português, mas estudei bastante e achei legal participar dessa atividade'', disse.
O terceiro lugar Guilherme Vinícius da Silva, 9 anos, admitiu que passou a prestar mais atenção nas aulas depois que o concurso de soletração começou. ''Não acho português difícil e na minha opinião quem sabe soletrar bem é porque lê bastante e é estudioso'', destacou. Tmabém participaram da final os alunos Kawane Pijus (2º lugar), Wilhan Felipe Biolado Santos (4º lugar) e Taís Aparecida de Paula Santos (5º lugar).

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