EDUCAÇÃO - Por uma escola nota 10
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local
Pelo segundo ano consecutivo, a Escola Municipal Neman Sahyun, localizada no Conjunto Habitacional Ruy Virmond Carnascialli (zona norte), ficou em primeiro lugar entre as escolas avaliadas em Londrina pelo Índice de Desenvolvimento na Educação Básica (Ideb), com a pontuação de 7,5 e 7,9, nos anos de 2011 e 2013, respectivamente (a meta nacional, até 2020, é atingir a média 6).
O último resultado divulgado em setembro trouxe à tona o questionamento sobre qual seria a "receita do sucesso" e engana-se quem pensa que o bom desempenho já seria uma tradição na escola: em 2005, quando houve a primeira avaliação da escola, a média atingida foi de 4.7. "Quando comecei a dar aula aqui, o que mais se ouvia era que a escola não era boa, que os alunos não aprendiam de jeito nenhum. Isso sempre me incomodou e quando assumi a direção, em 2008, percebi que era necessário trabalhar muito a autoestima dos professores e dos alunos para provar que a escola pública pode ser competente", conta a diretora Wandreia Souza Gomes.
Dinâmica e pró-ativa, a diretora conta que o trabalho de acompanhamento dos 250 alunos e dos 24 professores foi intensificado em parceria com a supervisora pedagógica Regiane de Souza Gomes Araujo. "Há uma cobrança constante dos conteúdos dos professores e da didática. Não aceitamos o argumento de que o 'aluno não aprende'. É preciso procurar outras formas de abordar o assunto e às vezes até solicitamos a colaboração de outro professor em caso de uma dificuldade específica para apresentar determinado conteúdo", comentam as educadoras. A tarefa também é cobrada diariamente de segunda a quinta-feira.
Aprender a "ler as entrelinhas do texto" e a interpretar gráficos são alguns dos desafios exigidos pelas provas do Ideb e um dos pontos fortes da escola é o incentivo à leitura. Bem estruturada e confortável, a biblioteca é um ambiente bastante motivador para o desenvolvimento da leitura, com prateleiras acessíveis aos alunos e decoração agradável. "Fazemos a Hora do Conto, empréstimos de livros, sacolas de leitura e sempre há livros disponíveis na sala de aula para a leitura livre após o término de alguma atividade", observa a diretora.
Sob a coordenação da professora Solange Bortolin também responsável pelas aulas de informática -, o trabalho de leitura é levado a sério. "Parece simples, mas trabalhar com a leitura exige um preparo prévio do texto. O esforço vale a pena e os nossos alunos já estão adquirindo o hábito da leitura, fazendo empréstimos de livros mais 'grossos', como costumam dizer", brinca Solange.
A participação dos pais também é outro ponto positivo da escola e um bom exemplo é do educador e líder comunitário Paulo Rogério da Silva, que de forma voluntária montou na escola dois projetos: xadrez e futsal. Atualmente presidente da Associação de Pais e Mestres, Silva elogia a atual gestão da escola: "Tudo aqui é feito de forma democrática, participativa e autônoma. Estou bem tranquilo com relação à qualidade da educação dos meus filhos que estudam aqui e uma das coisas que mais gosto é do projeto que trabalha valores éticos com as crianças".
A turma do quinto ano que foi avaliada no último Ideb, em 2013, já não está mais na escola já que a partir do sexto ano o ensino é realizado pela rede estadual -, mas o legado deles continua. "Dá um friozinho na barriga pensar que só podemos melhorar, mas isso também é uma motivação a mais e acho que o bom desempenho é resultado natural de um trabalho bem desenvolvido desde a educação infantil", comenta a professora Juliana Moreno, cuja turma no ano que vem irá enfrentar mais uma edição do Ideb.
Ela confirma que quando entrou na escola há 10 anos o que mais se ouvia era a notícia de que a escola era ruim e comemora a inversão desse quadro. "No fundo, a receita do sucesso é simples e precisamos acreditar que ela seja possível", conclui.