EDUCAÇÃO - A turma do SETENTÃO
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sábado, 30 de junho de 2007
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Todo mundo tem alguma lembrança interessante dos bancos da escola primária. ''Eu era muito arteiro, levei muita reguada das professoras'', revela o juiz aposentado Luiz Carlos Belinetti.''Era um CDF, estudava bastante'', recorda o prefeito de Curitiba, Beto Richa. ''Sou suspeito para dizer se fui bom aluno, mas a lembrança que fica é de respeito aos professores'', completa o deputado Alex Canziani. O que os três têm em comum? O fato de terem estudado no Colégio Hugo Simas, que completa 70 anos no dia 14 de julho.
A história do Hugo Simas se confunde com a história de Londrina, que foi emancipada dois anos antes (1935), e de seus personagens. Com o nome de Grupo Escolar de Londrina, o colégio começou a funcionar em 14 de julho de 1937. De lá para cá milhares de alunos e uma lista com dezenas de professores passaram pelo colégio, considerado um dos melhores da rede estadual da cidade.
Única escola pública de Londrina na década de 30 - até então só existia o Colégio Mãe de Deus - o grupo escolar surgiu para atender aos filhos de pioneiros que aqui chegaram para desbravar a terra vermelha do Norte do Paraná. Por isso, não é exagero afirmar que dezenas de médicos, dentistas, advogados, juízes, professores, engenheiros entre tantos outros profissionais que ajudaram a construir Londrina são filhos dessas famílias.
Além do juiz aposentado Luiz Carlos Belinetti, suas duas irmãs Zilda e Ana Maria também frequentaram o colégio. Na década de 40, a mãe dele dona Josefa, que hoje está com 92 anos, lecionou na escola. ''Eu cheguei a ajudar a minha mãe a corrigir provas de alunos'', conta Belinetti, citando que a mãe nunca quis tê-lo como aluno. ''Ela preferia que outras professoras dessem aula para mim. Minha primeira professora foi dona Alba'', lembra. O colégio ainda guarda um álbum de fotografias dos formandos da turma dele datado de 1947.
Contudo, ele e as irmãs não foram os únicos da família a frequentar o Hugo Simas. Anos depois, também estudou no colégio o filho de Belinetti que hoje é procurador de Justiça do Estado, Luiz Fernando Belinetti. ''Naquela época era tudo muito diferente de hoje. Os professores viviam a vida do aluno. Minha mãe mesmo chamava os alunos que tinham dificuldade no aprendizado para irem à minha casa para o reforço e, é claro, não se cobrava nada. A turma gostava de dar aula'', diz Belinetti.
Outro londrinense que também tem um carinho especial pela instituição é o deputado federal Alex Canziani que fez o primário no Hugo Simas, no começo da década de 70. ''Sou supeito para dizer se fui bom aluno'', diz Canziani. A lembrança que ele tem do colégio resume-se no respeito que os alunos tinham pelo professor. ''Era uma relação de muito respeito que a gente tinha'', comenta ele, que formou-se em Direito na UEL. Ao inverso do que ocorre hoje, Canziani lembra que naquela época quem estudava em colégio público ''era considerado mais aplicado'' em relação ao aluno que frequentava a escola particular. ''Não eram tantos colégios particulares como hoje, mas quem estudava na escola particular era chamado de PPP (Pai pagou, filho passou)'', recorda Canziani.
Outra figura ilustre que sentou nos bancos do Hugo Simas foi o prefeito de Curitiba Beto Richa, filho do governador José Richa. Beto fez o prézinho e o primário. ''Eu era um CDF. Estudava muito, era bom aluno'', conta Richa, que é formado em Engenharia. Ele lembra da escola com carinho e diz que o ensino era bom. ''Hoje faltam investimentos nas escolas'', compara ele, que se esforçou para lembrar o nome de algumas professoras como dona Mercedes e Nadir Scuculia.


