Mais uma vez a arte serve como exemplo. Para o físico austríaco Frijof Capra, autor de livros famosos como ‘‘O Tao da Física’’ e ‘‘O Ponto de Mutação’’, uma das provas mais visíveis de que seu trabalho de alfabetização ecológica dá certo é quando as crianças pintam, fazem poemas ou desenvolvem uma peça de teatro. De passagem por Curitiba para ver como funciona o Programa de Alfabetização Ecológica, baseado nos seus princípios, e desenvolvido pela Prefeitura de Curitiba, Capra falou à imprensa ontem à tarde.
Esta foi a primeira vez que o físico veio ao Paraná. Sua visita representa um grande avanço no projeto que hoje é desenvolvido na escola Professor Ulisses Falcão Vieira, no Campo Comprido, Região Metropolitana de Curitiba. Durante a entrevista coletiva, Capra deixou claro o interesse pelo que está sendo feito aqui. Ele é hoje uma espécie de embaixador de um projeto que quer formar crianças melhores, com conceitos de interdependência, reciclagem, parceria, diversidade e flexibilidade regendo suas vidas.
Dentro do projeto que Capra desenvolve no Centro para Alfabetização Ecológica em Berkeley, Califórnia, EUA, já existem mais de 100 escolas participando. Lá, onde o famoso físico é diretor, haverá o acompanhamento de algumas crianças por 15 anos. Capra quer ver de perto como seus métodos irão funcionar na prática.
Os conceitos que estão sendo passados pela alfabetização ecológica fogem bastante da maneira tradicional. Sempre com base no falar e vivenciar, os professores envolvidos também passam por treinamentos. Assim como os alunos, vez por outra os adultos passam a semana vivendo na prática o que o projeto quer implantar. Por exemplo, as aulas práticas muitas vezes dão lugar a visitas a hortas e fazendas.
O projeto de Capra quer, além de criar o amor à natureza, fazer a criança sobreviver dentro dela. Esta sobrevivência vai diretamente ao encontro de entender o funcionamento das coisas. ‘‘Já existe no mundo hoje uma grande conscientização de respeito ao planeta’’, falou o físico. ‘‘Queremos construir pessoas abertas ao entendimento da natureza. É importante falar também que as estratégias de entendimento deste processo depende da cultura onde a criança vive.’’
Para Capra, a internet é um grande veículo de padronização desses conceitos. Segundo ele, através da rede é possível trocar vivências. ‘‘Isso é o que mais me satisfaz nesse trabalho’’, declarou. ‘‘Achamos que as crianças têm que ter experiência emocional com o projeto e dentro disso desenvolvemos dois tipos de procedimento. O primeiro são as Escolas-Hortas, onde elas podem aprender a produzir sua comida e também podem ter contato com a produção de fazendas. O outro é o trabalho com a água. Através dele, os alunos aprendem como funcionam as bacias hidrográficas e a importância da água para o planeta. É mágico ver uma criança aprendendo isso’’, se empolgou.
Mas a grande amostragem, a grande prova, vem quando os alunos fazem arte. Segundo Capra, é através dela que a criança mostra toda sua inteligência emocional. É deixando fluir uma parte de si que desconhece, mas que domina como ninguém, que os pequenos estudantes conseguem fazer os olhos de um dos físicos mais importantes da atualidade brilhar.

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