O Programa Folha Cidadania promoveu na noite de anteontem, no Cine Teatro Ouro Verde, em Londrina, o ''1º Seminário Ler para Ser''. Participaram 600 professores da rede pública de ensino de Londrina, Cambé, Ibiporã, Jataizinho e Rolândia, além de profissionais de quatro escolas particulares e pais de alunos. O tema foi a importância da leitura e do estudo diário para o aprendizado do aluno e a relevância do autodidatismo para a educação.
O professor e escritor Pierluigi Piazzi, que veio de São Paulo especialmente para o evento, abriu o seminário com a palestra ''Aprender com Inteligência''. Baseado em seu mais recente lançamento - ''Aprendendo Inteligência - Manual de Instruções do Cérebro para Alunos'', o professor apontou os três principais equívocos praticados nas escolas atualmente e apresentou propostas para minimizá-los. ''O diagnóstico da educação no Brasil é catastrófico porque há muita indisciplina na sala de aula; 99% dos alunos estudam apenas para a prova e não para aprender; a maioria dos brasileiros não lê, portanto são analfabetos funcionais - transformam letras em sons, mas não em idéias'', apontou.
De acordo com o educador, as conversas paralelas em sala de aula decorrem da onipresença da televisão. ''Os alunos se acostumaram a realizar as atividades com aquele zunzum ininterrupto. Só que, de repente, o zunzum é o professor. Disciplina não é repressão. O professor deve criar o hábito nos alunos de não conversar em sala'', orientou. Pierluigi defendeu que inteligência, talento e educação são características adquiridas, e não inatas. Portanto, todos têm potencial para se tornar mais inteligentes dia após dia.
Para aprender, além de saber ouvir, é preciso também armazenar as informações. Segundo Piazzi, isso é feito através de dois mecanismos do cérebro: o sistema límbico ou cerebelo, que podemos comparar com a memória RAM do computador, escreve as informações e as apaga com facilidade (memória provisória) e o córtex, que funciona como um HD, é o local onde as informações são escritas, impossíveis de serem apagadas (memória permanente).
O cérebro armazena caminhos que permitem recriar a informação. Quanto mais ramificada a informação, mais fácil de ser assimilada. Isso quer dizer que, para que as informações sejam armazenadas na memória permanente, é preciso que o conteúdo aprendido em sala de aula seja estudado no mesmo dia. ''Se você estudar um pouco antes da prova, as informações ficarão armazenadas na memória provisória, e serão jogadas no lixo enquanto você estiver dormindo'', ressaltou o palestrante. De acordo com o professor, a inteligência é aprendida principalmente por meio da leitura, que deve ser estimulada como um hábito prazeroso. ''O professor não pode obrigar o estudante a ler, direcionar a leitura. A dica é oferecer um leque de opções para que a escolha seja do aluno'', enfatizou.
Piazzi reforçou que a leitura, entre outros benefícios, promove maior capacidade de argumentação. ''A leitura é a melhor forma de musculação mental, mas há varios outros exercícios, tais como resolver palavras cruzadas, jogar xadrez e solucionar problemas de matemática'', indicou.
Para debater como deve ser feito o estudo em casa, foram convidados o professor de Gramática, Literatura e Redação Dilson Catarino, e o pesquisador Leo Pires Ferreira, que também é um estudioso da vida e obra de Monteiro Lobato. Catarino ressaltou a importância do autodidatismo no aprendizado, e a relevância de instituições, pais e professores servirem de exemplo e estímulo para a criação do hábito da leitura. ''É balela dizer que não temos tempo para ler. Uma pessoa leva de dois a três minutos para ler uma página. Se dedicarmos 30 minutos do dia à leitura de um livro já são 10 páginas. Como um livro possui, em média, 200 páginas, ao final de um ano serão 3.650 páginas, perfazendo uma média de 18 livros lidos em um ano'', calculou. Catarino comparou a média de leitura dos finlandeses - 18 livros por ano - e dos brasileiros - 1,8 livros por ano.
Ferreira destacou que o saber está assentado no tripé educação, conhecimento e pensamento. ''Aprendendo, o aluno passa a ter liberdade mental e autocrítica para avaliar o processo do conhecimento''. Ele também ressaltou a importância de denunciar a qualidade da educação no Brasil e chamar a atenção para a necessidade de mudanças.
Finalizando o seminário, três professoras da rede pública apresentaram exemplos de sucesso. Jacqueline Lanfranchi falou sobre o Software JCLIC - Jogos para Alfabetização. A professora Fernanda Micheli, da Escola Parigot de Souza, de Rolândia, relatou o projeto ''Instigando a Cidadania através da Leitura de Jornais''. A professora de Artes Viviane Mascarenhas, da Escola Roberto Conceição, de Cambé, abordou o tema ''RE (Formando) Nosso Mundo''.
Segundo a coordenadora do Programa Folha Cidadania, Luciana Costa Fontes, o seminário oportunizou a troca de vivências de professores de diferentes escolas e realidades, além de valorizar os exemplos locais bem sucedidos. ''Como meio de comunicação com grande poder de penetração, a FOLHA também está comprometida com a promoção da cidadania. A nossa meta para os próximos eventos é envolver os pais nesta discussão'', informou.
O evento foi realizado em parceria com o projeto ''A Caminho do Letramento'', da Secretaria de Educação de Londrina e teve o patrocínio oficial da Sercomtel e apoio do Sistema Anglo de Ensino. O Folha Cidadania é uma parceria entre a FOLHA, o setor privado, entidades sociais e secretarias municipais de Educação, com o objetivo de utilizar o jornal como suporte pedagógico e técnico para estimular a leitura entre os jovens.

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