Eduardo Martins relança "Com Todas as Letras - O Português Simplificado"
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Ricardo de Souza 
São Paulo, 30 (AE) - No fim do século passado, um homem chamado Belchior criou a primeira loja para venda de roupas e objetos de segunda mão. Foi graças ao nome do sujeito que esse tipo de estabelecimento recebeu o nome de brechó. A palavra gari também é derivada de um nome próprio. Vem de Aleixo Gary, que era proprietário de uma empresa que fazia a limpeza das ruas do Rio. Essas e outras curiosidades ligadas à língua portuguesa, além das dúvidas mais recorrentes do vernáculo, estão nas páginas do livro "Com Todas as Letras - O Português Simplificado" (Editora Moderna), do jornalista Eduardo Martins, que está sendo relançado amanhã (01), a partir das 18h30, na Livraria da Vila, depois de a primeira edição - que teve tiragem inicial de 10 mil exemplares - ter-se esgotado em apenas três meses.
O livro é uma reunião de textos publicados desde 1995 na coluna "De Palavra em Palavra", do suplemento Estadinho, do jornal "O Estado de S.Paulo", e apresentados até recentemente no programa de mesmo nome da Rádio Eldorado AM. "Os artigos do Estadinho foram reciclados e fundidos a outros que escrevi especialmente para a publicação, como o que trata de curiosidades da língua portuguesa", explica Martins, que trabalha desde 1960 na redação do jornal. Na publicação, o autor mostra os principais erros cometidos no idioma e a melhor maneira de evitá-los, além de alertar o leitor para vícios de linguagem, como o uso de frases do tipo "Nós vamos estar saindo esta noite" em vez de "Nós vamos sair esta noite". "As pessoas ouvem esse tipo de coisa e acham bonito", diz Martins.
No capítulo "Não Seja a Bola da vez", o autor questiona o uso de expressões desgastadas como "bola da vez" - "Quantas vezes nos últimos tempos você ouviu dizer que o Brasil (ou algum outro país) era a bola da vez? ", escreve Martins - ou "lição de casa" - "Nossas autoridades não souberam fazer a lição de casa". Ele enumera, nesse capítulo, uma série de exemplos cujo uso excessivo dá ao texto "uma idéia de texto superado, envelhecido e sem imaginação". A pedidos - A idéia de lançar o livro surgiu dos inúmeros pedidos que o jornalista recebeu de leitores para que reunisse num livro os textos de sua coluna semanal. E também da quantidade de pessoas que ligam ou enviam cartas para esclarecer dúvidas. "Se juntar os ouvintes que ligavam para a rádio aos que escrevem para o jornal, o número de perguntas que recebia por semana chegava a cerca de 60", conta Martins. "Com Todas as Letras", que tem 152 páginas, é dividido em capítulos cujos títulos foram criados para atrair, às vezes de forma bem-humorada, a atenção do leitor, como "O Bom e o Mau Uso de Mal", "Não Se Aperte com a Crase" e "Anuncie Que É Meio-Dia e Meia". "Com o trabalho no Estadinho, precisei simplificar as explicações das noções sobre as questões gramaticais; daí o subtítulo, que não tem nada de demagógico", afirma Martins, que é também autor do "Manual de Redação" e Estilo do "Estado", lançado em 1990.
Apesar do formato de apostila, "Com Todas as Letras" não é destinado apenas a crianças e adolescentes. Muitas das questões abordadas por Martins surgiram de dúvidas de leitores adultos. "O livro interessa a todos os que se preocupam em escrever e conversar usando um português correto", esclarece o autor. O jornalista acredita que a grande procura pelo livro se deve à simplicidade e atualidade dos textos, que vêm acompanhados de divertidas ilustrações de Osnei Furtado da Rocha. "Mas isso mostra também que a língua portuguesa está em alta", anima-se o autor. A atualidade, aliás, foi uma preocupação quase obsessiva do autor. Por isso, ele acrescentou à obra as inovações introduzidas no idioma. "As novas formas de regência e as transposições de palavras de uma para outra área de atividade causam muita insegurança às pessoas que fazem consultas a especialistas e procuram saber como proceder nesses casos", argumenta Martins, no prefácio do livro.
"Com Todas as Letras" tenta provar, acima de tudo, que ler também pode ser divertido. E que um domínio razoável da língua portuguesa amplia consideravelmente o horizonte das pessoas. Martins cita, no primeiro capítulo do livro, uma frase de Richard Steele que traduz isso com clareza: "A leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo".


