Edson & Hudson voltam ao trabalho com novo CD
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Milene Spinelli<br>Folhapress 
São Paulo - Edson & Hudson estão de volta, após a separação da dupla devido à internação de Hudson, para tratar o vício em álcool e drogas. Para celebrar, os sertanejos lançam o 19º álbum, "De Edson para Hudson" (uma homenagem com 16 faixas de irmão para irmão), e a turnê "Conectados", que estreia no próximo dia 4, no Villa Country, na capital paulista.
"Estamos juntos nessa nova fase e nessa nova vida. Queremos passar alegria para as pessoas com as nossas novidades. E mostrar que muita gente pode ser salva pelo exemplo do Hudson de superação", diz Edson, que completa: "O nome 'Conectados' é porque estamos conectados de verdade com o nosso amor um pelo outro, com os nossos fãs e com a saúde e o bem-estar".
A dupla promete shows dignos de superproduções. "A estrutura é grande, com iluminação bacana, boa acústica e com tudo novo: vida nova, palco novo, músicas novas e uma ansiedade positiva para fazer o melhor que a gente conseguir", anima-se Hudson, que não esconde a apreensão de voltar aos palcos. "Estou ansioso, pois a responsabilidade com o fã é grande. Gostamos de fazer show para impressionar as pessoas e não só para cantar as músicas de sucesso. Parece que é a primeira vez que vou subir em um palco", diz ele.
Para Edson, não é diferente: "É o melhor show da nossa vida. Ele passeia por todos os nossos sucessos, passa pela viola e pelo country, rock, romântico e até pelo caipirismo. É um show completo, para todos os gostos".
Com uma veia rockeira, Hudson não pôde tocar guitarra na gravação do disco por recomendações médicas. "Nos shows, vou colocar minha personalidade e improvisar em cima dos solos já feitos, para não perder minha característica como músico. Mas o disco foi gravado com tanto carinho que talvez eu nem queira mudar muito", conta o cantor, que adianta a vontade da dupla de lançar o sexto DVD, um livro e até um filme.
Clínica virou estúdio de gravação
Se não dá para ir até o estúdio, o estúdio vai até o cantor. Foi assim que Edson incluiu Hudson no novo disco. "Quando comecei o CD, o Hudson estava havia três meses na clínica de reabilitação. Assumi a produção a contragosto. Quando fazemos juntos fica muito melhor. Cada música que eu fazia, pensava se ele ia gostar", diz Edson.
O tributo ajudou Hudson na recuperação. "Foi uma homenagem do Edson em um momento difícil que eu estava passando, me senti útil. Levaram o estúdio até a clínica e montamos tudo lá", diz Hudson. Edson também compôs quase todas as faixas. "Preferi que a gente escrevesse as músicas, para ficar com a nossa cara. Queria recuperar a dupla, sem fugir das nossas origens, mas de uma forma mais moderna", conta.
Para isso, a ajuda de Hudson foi fundamental. "O apoio do meu irmão foi essencial para terminar o disco, porque não existe Edson sem Hudson. Ele não pôde tocar guitarra, mas mudou arranjos, fez alterações, opinou na pós-produção e não deixei nada passar sem a opinião dele. Ficou um disco a quatro mãos", diz Edson.
'Há vida após as drogas'
O retorno da dupla se dá quatro anos após a primeira separação, que durou dois anos. Hudson já foi preso por porte ilegal de armas e por não pagar pensão alimentícia à filha. O sertanejo procurou consolo no álcool e na cocaína até optar pela internação.
"Não foi fácil ficar isolado do mundo, senti muita falta dos palcos. Cheguei a uma fase muito complicada. Para mim, a vida tinha acabado", desabafa Hudson.
O sofrimento foi decisivo para uma virada. "Reaprendi a dar valor à família e ao trabalho. Todos os sofrimentos valeram a pena, hoje sou um novo homem e vejo a vida com clareza, encaro os problemas", diz o sertanejo.
Quanto a eventuais recaídas, Hudson declara: "É o medo que vai me manter afastado, pois o pesadelo foi enorme. Tive várias overdoses, fui parar no hospital quase morto, tomava 1 litro de uísque por dia. Agora, quero ter uma vida digna e passar o exemplo do que se deve fazer, de que há vida após as drogas".


