O escritor Howard Phillips Lovecraft, falecido em 1938 sem conseguir publicar nenhum de seus livros, praticamente desconhecido e se considerando um fracasso total está sendo revelado, agora, aos leitores brasileiros, através de dois lançamentos da Editora Campanário que oferece, simultaneamente, o primeiro e o último dos 8 volumes que formam a chamada coleção ‘‘Os Mitos de Cthulhu’’: ‘‘O Chamado de Cthulhu’’ e ‘‘Na Noite dos Tempos’’.
É uma excelente oportunidade para travar conhecimento com um autor que pode ser considerado o precursor do chamado ‘‘terror clássico’’, abrindo mesmo o caminho para outros como Stephen King, que, aliás, é admirador declarado de Lovecraft. Como King, e outros que seguem a mesma linha, Lovecraft criou um verdadeiro universo particular como base de sua saga. O autor apresenta no primeiro exemplar, ‘‘Os Mitos de Cthulhu’’, a base de sua teoria, a existência de seres que chegaram ao planeta Terra, vindos de remotas paragens do Universo, milhões de anos antes do surgimento da raça humana. Estes ‘‘Grandes Antigos’’, como o autor os chama, desapareceram após um cataclismo natural e vêm aguardando, desde tempos imemoriais, em outra dimensão, o momento para retomar o comando e exterminar a humanidade. A partir daí, desenvolvem-se os roteiros, conduzidos de modo firme e assustador, como convém, naturalmente, a livros de terror.
O primeiro exemplar, ‘‘O Chamado de Cthulhu’’, apresenta este novo universo, proporcionando momentos de suspense aos leitores; o outro lançamento, ‘‘Na Noite dos Tempos’’ retoma o tema, mostrando outra dimensão da ameaça dos citados ‘‘Grandes Antigos’’. Entretanto, é oportuno assinalar que não é preciso ler o primeiro livro antes do segundo. Pode-se ler em qualquer ordem ou qualquer um, porque eles têm suas próprias estruturas. E assustam.
Para completar, fazendo parte do primeiro livro, há um outro conto, intitulado ‘‘A Cor que Veio do Espaço’’, igualmente aterrorizante mas em outra estrutura. Lembra muito algumas das histórias de ficção científica envolvendo seres e coisas extraterrenas, que se pode ler ou ver (no cinema) atualmente. Mas diante da lembrança de que esta história foi escrita em 1927, tem-se que, realmente, reconhecer Lovecraft como um dos precursores até da ficção científica, abrindo caminhos para os que vieram depois e que tiveram mais sorte que aquele autor, sendo editados e lidos.
Com estes dois livros (e, espera-se, os demais da série) a Editora Campanário oferece uma excelente oportunidade aos leitores para o encontro com a ficção de um verdadeiro precursor do terror e da ficção científica.

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