Editora lança biografias de Whitney e Noel
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
Lucas Nobile<br>Folhapress 
São Paulo - Alguns músicos não gostam de ter suas vidas biografadas em livros no Brasil. Há casos como os de Roberto Carlos (que tirou das lojas sua biografia, e agora tenta barrar "Jovem Guarda - Moda, Música e Juventude", mesmo que este não seja uma biografia específica de Roberto) e o de Raul Seixas, cuja família engavetou um livro sobre o cantor antes de ser lançado.
Com o debate sobre a lei das biografias - no país, a legislação proíbe o lançamento de um livro biográfico sem a autorização do biografado -, surpreende agora a chegada ao mercado da Sonora, editora que publicará exclusivamente livros sobre música.
A editora, sediada no Rio e criada pelo jornalista e produtor Marcelo Froes e pelos sócios Flávio Cunha, Marcus Fabrício e Michel Jamel, não terá foco apenas em biografias, mas faz sua estreia com livros que retratam a vida de duas figuras musicais importantes.
O primeiro deles é uma biografia da cantora americana Whitney Houston (1963-2012), escrita por Mark Bego. "A intenção é publicar inéditos, mas também os raros e atemporais. Certos livros merecem voltar às prateleiras", diz Froes, que também é dono do selo de CDs Discobertas.
O segundo lançamento trata-se da biografia de um personagem com um histórico de problemas judiciais envolvendo seu nome: o sambista carioca Noel Rosa (1910-1937). Como determina a lei, os sócios da editora pediram autorização para a família do compositor para relançar "No Tempo de Noel Rosa", biografia feita por Almirante em 1963.
Desde a década de 1990, Irami Medeiros Rosa de Melo e Maria Alice Joseph, herdeiras de Noel, conseguiram impedir que "Noel Rosa - Uma Biografia", de João Máximo e Carlos Didier, fosse republicada. Elas alegavam que os autores, sem autorização, esmiuçaram aspectos da vida privada do sambista.
O curioso é que o livro de Almirante, relançado agora pela Sonora, aborda as mesmas passagens reveladas por Máximo e Didier, como o suicídio de parentes do músico, o acidente no queixo de Noel e o envolvimento dele com "damas dos cabarés".
Para Elio Joseph, representante das herdeiras de Noel, o fato de um livro tratar da vida particular do sambista não é primordial. "O ponto mais prevalente é que Máximo e Didier fizeram aquele livro à revelia da família. Em qualquer projeto sobre Noel Rosa, o contrato só é assinado mediante depósito na conta das herdeiras", explica Joseph.


