Editora independente inaugura banca própria
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terça-feira, 09 de dezembro de 2014
Maria Fernanda Rodrigues<br>Agência Estado 
São Paulo - Quando a Lote 42 foi idealizada, havia dinheiro para publicar três livros e o plano era de que eles fossem mais ou menos iguais: capa padronizada e texto. Mas logo os autores foram chegando, os editores perceberam que o conceito de livro era mais amplo do que eles imaginavam no princípio, que cada lançamento pedia uma atenção especial, e a editora foi criando sua identidade. Dois anos e oito livros depois, João Varella, Cecilia Arbolave e Thiago Blumenthal continuam inventando moda -, mas para além de inovações gráficas e editoriais: eles acabaram de inaugurar a Banca Tatuí, na capital paulista.
Editoras independentes como a do trio dificilmente conseguem ver seus títulos nas prateleiras das grandes livrarias e acabam tendo apenas seus sites e suas feiras - também independentes - para vender a produção. A Banca da Tatuí até funcionava, mas minimamente para que os donos não perdessem o ponto. João e Cecilia são vizinhos dela, e um dia, passando na frente, ele leu numa folha de sulfite colada na porta que ela estava à venda. "É mesmo muito difícil conseguir espaço nas livrarias e víamos a necessidade de ter um ponto de venda e um lugar que fosse uma espécie de referência para esse movimento", diz.
Pelo preço equivalente ao de um carro popular, ele fechou o negócio no início do semestre. Na última semana, um mutirão se dedicou à reforma, modernização e transformação do espaço. Na quinta-feira, por exemplo, dia do aniversário da editora, enquanto funcionários da Casa Rex, de design, trabalhavam nas paredes da banca, marceneiros instalavam as prateleiras e moradores olhavam curiosos.
A ideia da editora é explorar a dimensão física do livro e dialogar com seu público que, acreditam, vem da internet com a criação de sites com conteúdo extra, como trailers e making of dos livros. "Vejo a editora mais como uma plataforma de coisas bacanas", comenta Varella, que cita a adaptação para o teatro de "Seu Azul", livro de Gustavo Piqueira que a Lote 42 lançou em 2013.
Neste primeiro momento, estarão à venda jornais tradicionais e publicações de editoras e artistas como a própria Lote 42 e ainda Confeitaria, A Zica, AleKalko, Prólogo, Suplemento e D.W. Ribastky. E em breve, Empíreo e Beleléu. "Não desistimos das livrarias", conta João Varella. "Mas não vemos mais com tanto ímpeto. Nosso e-commerce está forte e agora tem a banca. Se não nos quiserem, não vamos ficar magoados", completa Cecilia.
7 a 1
A Lote 42 já circulava bem na cena independente, tinha lá seus seis mil seguidores no Facebook, mas ficou realmente famosa na Copa do Mundo. Foi quando teve a inocente ideia de dar 10% de desconto para cada gol sofrido pelo Brasil, mas não imaginava a goleada desastrosa de 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. Foi um caos. Foram iniciados mais de dois mil processos de compra - um pouco mais da metade foi finalizada. O estoque da loja virtual esgotou. O número de seguidores do Facebook saltou para 36 mil no dia. O site saiu do ar e as pessoas começaram a duvidar de que eles cumpririam a promessa. "Tivemos que aprender a lidar com o ódio. Havia gente querendo que a editora fechasse", comenta Thiago Blumenthal. "Não entendíamos de onde vinha tanta raiva", completa Varella. Ainda não há consenso entre os sócios sobre o resultado da traumática iniciativa, que deu prejuízo e publicidade à editora. "Foi marcante e muito positiva", avalia Cecilia. "Foi meio termo", diz Varella. "Foi um divisor de águas", finaliza Blumenthal.


