Marcos Losnak
Especial para a Folha2
Tudo indica que o escritor russo Anton Pavlovitch Tchekhov (1860 - 1904) foi o pioneiro a imortalizar a imagem de uma bela dama passeando com seu cachorrinho de estimação. Deixou claro que, para o olhar masculino, o cão é um acessório da dama, algo como um brinco, um bracelete, um anel. Um elemento para a sedução.
A imagem em questão está no conto ‘‘A Dama do Cachorrinho’’, escrito por Tchekhov (gravado as vezes como Checov ou Tchecov) em 1899. Este famoso texto integra o livro ‘‘A Dama do Cachorrinho e Outros Contos’’ que acaba de ser lançado pela Editora 34. A obra foi publicada originalmente em 1959 (Editora Civilização Brasileira) e posteriormente em 1985 (Editora Max Limonad). Com organização e tradução (diretamente do russo) do professor Boris Schnaiderman, a obra foi totalmente revisada e ampliada com notas sobre cada um dos 36 contos.
Dramaturgo e romancista, Tchekhov é considerado um dos grandes expoentes da literatura russa do século 19. Nascido em Tangarog em 1860, mudou-se para Moscou após a falência do pai onde se tornou médico. Dividiu sua vida entre a literatura e a medicina, dizia que a medicina era sua esposa legítima, a literatura seria sua amante.
Além de uma linguagem clara, quase cotidiana, o escritor conferiu novas características ao conto russo. A grande inovação foi a introdução do ‘‘não-desfecho’’ no final das narrativas. Tchekhov passou a trabalhar com desfechos diferentes do modo consagrado onde o fim era o fim. Passou a sugerir continuidade no final de seus contos, como se deixasse em suspenso o fim da história.
A escolha dos contos de ‘‘A Dama do Cachorrinho e Outros Contos’’ realizada por Schnaiderman não foi pautada pela tentativa de apresentar os melhores contos de Tchekhov. Seu objetivo foi reunir contos que ‘‘refletissem as diversas características de sua obra, as diferentes facetas de sua personalidade’’. Esta opção confere ao livro uma grande diversidade de narrativas.
‘‘A Dama do Cachorrinho e Outros Contos’’ de A. P. Tchekhov, Editora 34, tradução e notas de Boris Schnaiderman, 368 páginas, R$ 29,00.

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