Ecoturismo vive período de crescimento no país
O Brasil tem um grande potencial para o ecoturismo, mas até hoje o governo não enxergou o setor como uma atividade econômica rentável. O desenvolvimento que ele conquistou foi graças ao esforço da iniciativa privada e da comunidade. A opinião é do guia de turismo Sérgio Ferreira Gonzales, um dos primeiros na região de Bonito a investir na atividade.
De acordo com ele, Bonito começou a crescer a partir de 1980 com o início da exploração turística. Até aí, a cidade que completará 54 anos no dia 2 de outubro, não passava de um curral eleitoral para os políticos da capital.
O sócio-proprietário da VRA Turismo de Londrina, Cícero Fernandes, diz que 15% do seu faturamento vem das excursões para Bonito. Em 2001, ele levou 600 turistas à cidade e este ano espera aumentar a clientela em 30%. O ecoturismo no Brasil cresceu cerca de 400% nos últimos quatro anos e a tendência é continuar nesse ritmo. Apesar da forte concorrência entre as agências, Fernandes acredita que vai haver espaço para todos. Viajar hoje ficou mais fácil pela variedade de opções de pacotes e a facilidade no pagamento, explica o empresário.
Atualmente, o grande público de Bonito está na faixa dos 20 a 35 anos e na Terceira Idade. A maioria ainda é brasileiro, apesar do interesse crescente que a cidade vem despertando no exterior. Para atender essa demanda reprimida, Bonito já conta com agências especializadas em turistas estrangeiros que chegam à cidade toda semana.
Por causa da boa perspectiva de mercado é que Maria Cristina Leander Leite, 36 anos, deixou de ser professora de crianças portadoras de deficiência para tornar-se uma guia de turismo. Segundo ela, esse profissional ganha 10% do valor cobrado em cada passeio. Na baixa temporada, Cristina recebe cerca de R$ 600 e na alta o salário dobra. Embora o valor seja suficiente para viver em Bonito, o secretário municipal de Turismo, Henrique Ruas, diz que a cidade tem uma das menores remunerações do setor em todo País.
Além de concordar que Bonito é um dos paraísos ecológicos mais preservados do Brasil, eles também dividem a idéia de que isso só aconteceu porque o ecoturismo surgiu como nova opção econômica para a cidade. Há 16 anos, essa era a terra da soja. Hoje, a lavoura não passa de 5% da área, garante o auxiliar de serviços gerais Cleonidas Rodrigues Coimbra, que há dois anos abandonou o trabalho de operador de esteira para trabalhar num hotel.
Casado e pai de três filhos, ele diz que pretende continuar no ramo e para isso voltou a estudar. A falta de mão-de-obra especializada e de infra-estrutura urbana é um dos obstáculos para o desenvolvimento do ecoturismo em Bonito. É por isso que a população vê com satisfação cada novo empreendimento. A construção do aeroporto e de um grande hotel deve empregar cerca de 800 pessoas na construção ainda este semestre.
Embora o retorno financeiro seja um grande pilar da preservação ambiental, Gonzales faz questão de dizer que mais importante do que o dinheiro é vislumbrar na Natureza uma forma de vida para o futuro. O guia também é um fiscal do meio ambiente, finaliza Cristina.





