Ecoturismo no coração do Paraná
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
Tibagi - Um clima de cidade do interior com uma atmosfera de litoral. Essa é a impressão que Tibagi (101 km ao norte de Ponta Grossa), na região central do Paraná, dá ao turista que visita a cidade pela primeira vez. O município, famoso por abrigar o Parque Guartelá - onde se encontra o 6º maior canyon do mundo - também oferece muitas outras opções de turismo ecológico e de aventura.
A sensação de estar próximo do mar talvez se deva à quantidade de água existente na região. O próprio nome do município, Tibagi, palavra tupi-guarani, quer dizer muitas (tiba) águas/cachoeiras (gi). O rio que empresta nome ao município margeia a cidade com muitas corredeiras e lugares para prática de esportes aquáticos.
Além das belezas naturais da região, Tibagi é uma atração à parte. Com cerca de 20 mil habitantes, sendo 10 mil na zona rural, é o maior munícipio do Paraná (em tamanho), com uma área de 3.105.08 quilômetros quadrados. Durante a semana, o centro da pequena cidade é tranquilo com pouca gente caminhando e quase nenhum carro circulando. Mas nos finais de semana, as ruas começam a se agitar com a chegada dos turistas que vêm conhecer o lugar.
Tibagi abriga um centro com construções de valor arquitetônico e histórico preservado. Vários prédios contam um pouco da história da formação da cidade, fundada em 1794. O prédio do Museu Histório Desembargador Edmundo Mercer Júnior não é dos mais antigos, mas conserva um rico acervo que conta a história de Tibagi. Construído em 1949 para abrigar o Fórum local, passou a funcionar como museu em 1986.
O ciclo do diamante está preservado no museu. Ali, o visitante pode conhecer os equipamentos utilizados pelos garimpeiros. Até 1931, o garimpo de diamante no Rio Tibagi foi responsável pela economia e povoação do município.
No museu também estão fotos das famílias que ajudaram a construir a cidade. O museu ainda reserva uma parte à história da música brasileira. Fotos, objetos pessoais e matérias de jornal contam sobre a vida do violonista Manoel Evêncio da Costa Moreira, conhecido como ''O Cadete'', o primeiro músico brasileiro a gravar um disco no Brasil, com a música ''Mulher Sapeca''.
Cadete, que nasceu em Pernambuco e chegou em Tibagi com 11 anos de idade, era compadre de outro importante compositor brasileiro: Catulo da Paixão Cearense. O músico pernambucano que adotou Tibagi como lar também organizou o primeiro desfile de carros alegóricos no Carnaval de 1910. Hoje, o chamado Corso continuam fazendo parte de um da mais animadas festas de Momo do Paraná.
O prédio que abriga a Prefeitura também vale a pena ser conhecido por quem aprecia arquitetura. A construção, chamada de Palácio do Diamante, foi erguida na década de 1930 pelo construtor civil alemão Max Staudacher e inclui vários salões, belo jardim e pátio interno no andar superior.
Outra construção com valor arquitetônico é onde funciona a biblioteca municipal de Tibagi. Construído em 1915 para abrigar o colégio estadual Telêmaco Borba, o prédio passou a funcionar como biblioteca em 1965, com um dos maiores acervos do estado.
A igreja matriz também tem valor histórico. O prédio atual foi concluído em 1936. Mas antes dele, a praça central teve duas outras igrejas. A primeira foi construída com madeira lascada e coberta com sapê em 1836. A pequena capela foi construída com a ajuda obtida nas peregrinações de Ana Beje, filha de Machadinho, fundador da Vila de Tibagi. Ana percorreu vários quilômetros carregando a imagem de Nossa Senhora da Conceição pedindo donativos para a construção da capela. A imagem está preservada no museu local, a capela desabou em 1858. A segunda, foi erguida em 1859, e depois deu lugar à atual igreja.
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