Ecoturismo cresce, ganha regras e investimentos
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terça-feira, 23 de agosto de 2005
Ana Paula Lacerda<br> Agência Estado 
São Paulo - Enquanto o turismo convencional cresceu 7% no último ano, segundo a Organização Mundial de Turismo, o turismo de aventura e o ecoturismo tiveram um salto de 20%. ''Junto do turismo de eventos, são os segmentos que mais crescem'', diz a coordenadora de turismo do Estado de São Paulo, Sônia Maria Belardinucci. ''Por serem atividades novas, até 2010 pelo menos esse crescimento deve ser contínuo.''
Esse crescimento levou o governo federal e alguns governos estaduais a se apressarem na regularização desses segmentos: em cerca de 30 dias, o Ministério do Turismo e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) devem divulgar normas para equipamentos e para o trabalho de guias de turismo de aventura. ''Em São Paulo, estuda-se uma maior flexibilidade na lei ambiental para incentivar o surgimento de atividades aquáticas, principalmente na hidrovia Tietê-Paraná'', diz Sônia.
''Ainda não há uma legislação forte para o turismo de aventura no Brasil'', diz o diretor da agência receptiva Bixo do Mato, Pedro Ferreira. ''Se o País fosse reconhecido internacionalmente como um destino de aventura, essa atividade cresceria ainda mais.'' Criada em 2001, a Bixo do Mato cresce em torno de 30% ao ano. São oferecidas atividades de arvorismo, rafting, bóia-cross e caminhada. Para expandir o rol de clientes, a empresa fez uma parceria com a MH Consult e oferece atividades especiais para treinamentos de executivos. ''Se quiserem um treinamento em equipe em que eles precisem montar uma balsa com bambu e bóias, por exemplo, temos como providenciar'', diz Ferreira. ''Também passamos bastante tempo ensinando aos participantes como utilizar os equipamentos, pois segurança é fundamental neste negócio.''
O mercado de equipamentos movimentou cerca de US$ 300 milhões no Brasil em 2004. Nos EUA, a cifra é de US$ 8 bilhões. ''Até há poucos anos, só havia equipamentos importados no mercado. Agora, já ocorre a nacionalização, e isso criou oportunidades de novos negócios'', diz Sérgio Bernardi, diretor da Promotrade organizadora da Adventure Fair, uma das maiores feiras de turismo de aventura, que ocorre de quinta-feira a domingo, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo.
A Kailash, marca nacional de equipamentos, surgiu dessa forma. A empresa Serelepe, detentora da marca, trazia equipamentos importados Petzel e New England, mas dado seu alto custo e o aumento na procura, resolveu desenvolver aqui alguns produtos. ''Estamos crescendo 28% ao ano e já chegamos ao médio porte'', diz o diretor de marketing da empresa, Alexandre Barbone. ''Há dez anos, ninguém pensava em abrir uma loja com equipamentos de esportes de aventura. Hoje, estamos abrindo uma loja própria e outras 500 vendem nossos produtos e de outros.''
Ele acredita que o crescimento do turismo de aventura aconteça porque os moradores das grandes cidades estão atrás de maior qualidade de vida. ''Buscar o contato com a natureza é uma das primeiras coisas que a pessoa faz quando quer descansar ou se afastar do stress do dia-a-dia.''
O fotógrafo Carlos Corrêa, amante da natureza, resolveu montar com a esposa bióloga uma empresa de turismo de aventura. Em um terreno próximo a Catuçaba, distrito de São Luiz do Paraitinga (SP), traçaram uma trilha pela qual os visitantes passam por sete cachoeiras, pedra, colinas e outras paisagens. ''Mesmo pessoas que nunca praticaram esporte de aventura podem fazer a trilha. Temos guias preparados para avaliar cada grupo e fazer os caminhos mais adequados'', diz Corrêa. ''Muitas pessoas querem conhecer a atividade, mas ainda com um certo conforto recebem o equipamento, frutas, sucos e explicações sobre tudo.'' Outro público que busca a trilha são os atletas de academia. ''São pessoas que já fazem exercício físico regularmente e querem testar se estão preparados.''
Transformar o terreno num negócio exigiu bastante estudo. ''A idéia inicial era fazer uma pousada. Com a ascensão dos esportes de aventura, o plano mudou, mas construímos chalés para quem quiser pernoitar. Cada um teve a arquitetura estudada para não agredir o meio ambiente e proporcionar a melhor vista da paisagem.'' O empresário também buscou se diferenciar oferecendo percursos especiais. ''Temos uma trilha zen, para quem quer relaxar, e também uma trilha realizada à noite, com a atividade de caça aos sacis. O guia explica como se caça sacis e conta várias lendas do folclore que tenham a ver com os locais por onde as pessoas passam.''
Sérgio Bernardi, da Promotrade, diz que quem pretende ter sucesso com atividades em turismo e esporte de aventura precisa além de estrutura local buscar funcionários qualificados, se preocupar muito com segurança e contratar especialistas na área ambiental. ''Em muitos municípios, é possível fazer parcerias com a prefeitura. O empresário também deve entrar em contato com agências para divulgar seu destino e criar um site de internet. Por mais estranho que pareça, os amantes da natureza pesquisam na rede possíveis passeios.''


