Cannes - Um olhar mais detalhado nas diferentes mostras do 55º Festival de Cannes rastreia em diversos títulos uma clara identidade de propósitos, o que não significa absolutamente uma uniformização ideológica - embora não se encontre nada nesta seleção, digamos, que particularmente possa agradar a Jean-Maire Le Pen. O israelense Amos Gitai, depois do impressionante ‘‘Kippur’’ mostrado aqui mesmo ano passado, trouxe ‘‘Kedma’’, resgate da criação do Estado de Israel em 1948. Também ontem, o americano Michael Moore sacudiu qualquer possível inércia na sala de projeção com o documentário ‘‘Bowling for Columbine’’, entre outras coisas uma candente denúncia sobre o livre comércio de armas nos Estados Unidos.
Nos próximos dias, mais combustível para saudáveis polêmicas, certamente e no mínimo todas de cunho humanista. O palestino Elie Suleiman oferece seu recado sobre o conflito do Oriente Médio em ‘‘Yadon Ilaheyya’’ (‘‘Intervenção Divina’’, uma espécie de crônica de uma ‘‘Intifada’’ anunciada. Outro palestino é ‘‘O Casamento de Rana’’, de Hany Abu-Assad, na Semana Internacional da Crítica, sobre o dia do casamento de um palestino em Jerusalém. Sobre os conflitos envolvendo a globalização, Francesca Comencini documentou em ‘‘Carlo Giuliano, Ragazzo’’ as manifestações do G8 e a trágica morte do personagem-título. Em ‘‘Avazhayé Sarzaminé Madariyam’’, o iraniano Bahman Ghobadi dirige seu foco para os refugiados kurdos no Irã. O tailandês Apichaptong Weerasethakul trata em ‘‘Sud Senaeha’’ dos problemas de integração das minorias na Tailândia. No documentário ‘‘De L’Autre Côt钒, a francesa Chantal Akerman dá sua visão crítica distanciada sobre a imigração mexicana nos Estados Unidos. E Roman Polanski, de novo na Croisette como concorrente depois de muitos anos, volta ao gueto de Varsóvia sob o jugo nazista para contar a história do pianista Waldyslaw Szpilman.

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