Economia sem 'economês'
Rodrigo Teixeira
TV Press
Paulo Henrique Amorim faz uma viagem no tempo. Na segunda-feira, ele estreou Conversa Afiada, programa produzido pela TV Cultura e transmitido pela Rede Pública de Televisão de segunda a sexta-feira, entre 21h40 e 22 horas. O enfoque central da produção são os assuntos relacionados à economia, área em que o jornalista atuou como editor no início da carreira, em 1970, quando trabalhava na revista Veja. Estou animado, pois volto para uma área que me dá muito prazer. Principalmente porque vou poder entrar fundo na questão econômica, diz o jornalista de 56 anos.
A idéia de Paulo Henrique é produzir matérias sobre negócios inusitados, dificuldades que as empresas enfrentam, reclamações dos consumidores e também discutir notícias econômicas de impacto. Mas também queremos antecipar fatos importantes da economia, comenta o apresentador. Para isso, o programa conta com dois repórteres, um em Brasília e em outro em São Paulo. O que também deixa motivado o jornalista é que o programa é ao vivo e ele pode fazer reportagens. Trata-se de uma combinação de notícias e debate. O verdadeiro jornalismo se faz ao vivo, além de ser uma vitamina para mim, vibra Paulo Henrique.
O programa marca a volta do jornalista ao vídeo, de onde estava fora desde janeiro deste ano. Paulo Henrique deixou o cargo de editor-chefe e âncora do Jornal da Band, onde também apresentava o semanal Fogo Cruzado, após constatar que não iria ter mais autonomia para comandar o telejornal na emissora. Por isso, mesmo com prestígio, mas sem dar bons índices de audiência, ele não completou o contrato até janeiro do ano 2000. O caso ainda está na Justiça, mas Paulo Henrique conseguiu uma liminar para voltar a trabalhar. Já tive uma vitória, que foi assegurar o fim da exclusividade da minha imagem na Band. Agora quero uma indenização por rompimento de contrato, avisa.
Paulo Henrique tinha o projeto de fazer um programa como Conversa Afiada há muito tempo. Na época em que estava na Band, ele chegou a apresentar a proposta, mas a emissora recusou. A produção também estava perto de ser fechada com a Rede TV!, mas o jornalista acabou não acertando com a emissora porque não chegou a um acordo financeiro. Assinei com a Cultura porque também vou ser co-produtor do programa, justifica. O jornalista garante que gosta da idéia de falar para uma audiência mais especializada, embora não deva ter índices do Ibope elevados. Quero fazer um programa com conteúdo. Quero fomentar idéias, diz.
Sem concorrentes com o mesmo perfil no horário nas outras emissoras, Paulo Henrique tenta usar toda a experiência de 38 anos de profissão para fugir do principal problema em abordar o tema economia: os termos específicos de difícil compreensão. Vou fugir do economês. Não quero cair naquela coisa chata, reflete o jornalista. Para isso, ele conta com a experiência que adquiriu nas revistas Exame e Realidade, como diretor de redação do Jornal do Brasil, entre 76 e 84, e diretor de jornalismo da Manchete, em 1985. Uma das inovações idealizadas por Paulo Henrique para a nova produção é que o público pode ter uma idéia de como é o programa através da Internet. O endereço é www.conversaafiada.com.br.
O apresentador não esconde que a área econômica é a que ele mais domina. Principalmente após ter assumido o cargo de editor de economia de todos os telejornais da Globo, em meados da década de 80, e ainda ter um quadro no Jornal da Globo. Paulo Henrique virou correspondente internacional da Globo em Nova York até 1996, período em que também colaborava com o World Reporter, programa apresentado pela emissora norte-americana CNN. O jornalista diz que se orgulha de furos dados entre 84 e 90. Ele destaca os lançamentos dos planos econômicos Cruzado e Collor, que tornou públicos em primeira mão. O jornalismo perde a graça para mim sem o furo. No Conversa Afiada não vai ser diferente, conclui.Paulo Henrique Amorim estréia programa na TV Cultura abordando temas econômicos em linguagem fácil
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasPaulo Henrique Amorim: O programa é uma combinação de notícias e debate. O verdadeiro jornalismo se faz ao vivo





